sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Minhas férias

Quatro dias de total descanso, assistindo filmes no meio da tarde, dormindo depois das 14 horas, curtindo preguiça ao lado do Rodrigo, relembrando os episódios das últimas semanas. Agora sim me sinto preparada para ressuscitar este blog e escrever sobre minha tão sonhada – e agora realizada – viagem à Europa. Antes é preciso dizer o que me levou a, nos últimos três anos, não adquirir nenhum bem, evitar as livrarias e gastar apenas o mínimo necessário.

Eu REALMENTE sempre sonhei em conhecer a Europa. Não porque é chique , mas pela arte, pela história, pelas belezas, pela cultura. Ver pessoalmente coisas que só conhecia pelos livros. Há algum tempo encontrei um diário de quando eu estava na sexta série. Já nessa época eu falava sobre meu sonho de conhecer a Itália, terra do meu avô. Então se eu for excessivamente deslumbrada, excessivamente piegas, excessivamente empolgada ao falar sobre a viagem, acho que mereço perdão. Meus amigos vão me desculpar por isso e talvez até ter paciência para ler um pouco do meu relato. Então vamos lá!

Itália

Depois de quase um dia inteiro de viagem – voar por 10 horas ininterruptas é exatamente dez vezes pior do que por uma -, o Rodrigo e eu encontramos o Eduardo no aeroporto de Roma. Logo me senti familiarizada com o lugar, tamanha a desenvoltura do Eduardo na cidade. Parece que ele mora lá há anos! Pegamos um metrô de 11 euros, um barco, uma lancha, um helicóptero, um táxi e um submarino e chegamos ao hotel, que ficava um pouco distante do centro. Apesar de arrastar malas pesadas, já de início percebi que essa é a melhor solução: um hotel distante, mas bom e barato. Pontos para nosso personal agente de viagens.

Roma foi só a primeira parada da nossa viagem, já que no dia seguinte seguiríamos de carro até Florença. Apesar do cansaço, saímos à noite para começar a sentir o clima do país. Fomos até o Vaticano e vimos o Coliseu. Esperei aquele arrepio na espinha de quem está realizando um sonho, mas ele não veio. Pela primeira vez percebi que uma cidade é apenas uma cidade, com suas histórias e belezas próprias. Mudou o conceito do passeio, o que foi bem melhor. Pude me concentrar nos detalhes dos lugares sem ficar com aquela cara de boba alegre que – eu sei! – tanto me caracteriza.

No dia seguinte alugamos um carro e passamos por Folônica, Golfo de Barati, Populônia, Cecina. Deu para sentir um pouco o gostinho de estar percorrendo lugares onde há muitos e muitos anos atrás já existiam civilizações em plena atividade. E ver o mar, como sempre, foi revigorante. Por fim paramos em Volterra, nosso segundo pouso.

Passamos a noite em um convento de 1400 que, há um ano, se tornou um albergue. Ele se chama Ostello San Girolamo (hotel na Itália é albergo e albergue, ostello). Tomamos o café-da-manhã em uma sala onde havia um afresco lindo. Depois disso fomos passear na cidade, que é uma graça. Um lugar onde com certeza eu passaria feliz a minha velhice. Não acreditei quando vi uma imagem que, durante anos, guardei por meio de um recorte de revista. Era um beco com construções medievais e roupas penduradas na janela...

Mais tarde fomos almoçar em Pisa. Lembro que a comida era gostosa...Em seguida fomos para a Praça Duomo, onde fica a famosa torre inclinada. Passamos um tempinho lá e terminamos o passeio do dia em Lucca, cidade do compositor Puccini. Confesso que o que sabia sobre ele era apenas o que o Eduardo me explicou – que ele compunha óperas muito famosas. Fiquei com vergonha da minha ignorância, ele é bastante reverenciado por lá. Passamos em frente à casa dele. Agora só falta conhecer a música, algo que vou providenciar por aqui.

No fim do dia já estávamos instalados em Florença, num hotel lindo e barato que o santo Eduardo encontrou pela internet. Tinha afresco no teto e uma penteadeira de mulherzinha. E internet! Estava no paraíso (rs).

Florença é uma cidade simplesmente linda, meu próximo sonho é estudar história da arte lá. A cidade respira arte por todos os lados, com suas estátuas, igrejas e museus. Acho que a parte mais linda da viagem foi conhecer a Catedral de Santa Maria Del Fiore, que tem aquela cúpula famosa e é o cartão-postal da cidade. Ela é bem mais bonita por fora que por dentro, mas como a entrada é franca....Também gostei de conhecer a Basílica de San Lorenzo, construída em 393 a.C. Nunca tinha visto uma igreja tão antiga.

O resto da tarde dedicamos ao Museu Uffizi, que guarda várias obras renascentistas. Ter visto O Nascimento da Vênus e A Primavera, de Botticelli, já teria valido a viagem. Mas também vimos obras do Leonardo da Vinci, Tiziano, Caravaggio e Rafael. Estes até podem ser mais importantes, mas as obras de Botticelli....são as mais lindas. Talvez por isso sejam tão pops – é a seção mais disputada do museu. Ah! E lá aceita carteirinha internacional de jornalista, o que complementou a minha felicidade. É tão bom curtir coisas lindas sem pagar nada!

No dia seguinte já estávamos em Gênova, a terra de Cristóvão Colombo. Chegamos de trem por volta das 16 horas e fomos direto para o albergue. Todo mundo que via a gente com as malas nos dava a indicação do lugar. Fiquei num quarto com várias meninas de outros países. Uma polonesa tentou conversar comigo, perguntou se eu falava inglês, depois francês, depois italiano....Não deu....Desistimos de conversar. Ao mesmo tempo em que me diverti estando num lugar com pessoas de tantos lugares, fiquei meio incomodada com a total falta de privacidade do quarto. Confesso: não consegui relaxar. Deu saudade do meu hotel três estrelas baratinho....

França

De trem fomos para Nice. No caminho fiquei admirando o mar azulzinho por um bom tempo. De lá fomos para Marseille, onde alugamos um carro e nos perdemos um bom tempo até chegamos ao hotel. Ficamos no F1, um hotel pequeno, com banheiro compartilhado, mas um tiquinho mais de privacidade. Sem contar o café-da-manhã, que tem um chocolate em pó que consegue até superar o meu adorado Toddy.

De manhã fomos para Mônaco, um dos melhores destinos da viagem. É um país – ou um principado, sei lá – lindo. Nesse dia tive uma vontade bem forte de ser rica. Muito rica. E morar lá. O único problema do passeio foi que escolhemos mal a roupa. O sol estava forte, o mar lindo, e a gente de calça jeans....Bem que tentamos comprar roupas de banho, mas pelo amor de Deus....O que são aqueles biquínis? Além de caros, nunca mais na vida teria coragem de usá-los. O pessoal de Mônaco tem muito o que aprender com os brasileiros....Quanto aos meninos...Bem, eles se divertiram percorrendo o circuito de fórmula 1. Cada um com suas alegrias (rs).

Terminamos o dia em Cannes, onde tem o festival de cinema. Esse relato está ficando muito longo....Ai, ai...Vamos pular logo para Paris.

Paris é tudo aquilo que dizem. Linda, chique, culta....Foi bom nosso personal agente de viagens ter separado cinco dias para este destino. Fiquei com uma pontinha de vontade de ter essa elegância das parisienses que parece tão natural. Elas realmente sabem se vestir. Mas no fim do passeio em Paris, depois de muito ter passado frio, cheguei à conclusão de que as brasileiras são mais felizes. Elas podem usar lindos e leves vestidinhos floridos! Vou encher meu guarda-roupa disso. Aliás, falta um pouco de cor na moda européia...Por que será?

Apesar da minha cabeça ter parado por vários instantes nesse tipo de futilidade (rs), fizemos um passeio bastante cultural por Paris. Entre eles destaco as visitas ao Museu do Louvre e ao Palácio de Versailles. Passeios que, desde de que eu me entendo por gente, gostaria de fazer. Simplesmente não dá para descrever quanta coisa vi e quanto fiquei feliz por tudo isso. Preciso voltar a estes lugares.

Londres

Estou acelerando o relato, porque realmente não dá para descrever tudo. Escrevi uma espécie de diário ao longo da viagem, para recordar. Mesmo assim fui econômica nas palavras, porque o cansaço era imenso....Não sei de onde tirava energia para os passeios.

Londres não era um destino que eu teria escolhido. Não sei porque, nunca me atraiu. Mas preciso novamente reverenciar meu líder Eduardo. Foi uma ótima escolha. Uma cidade cosmopolita, rápida, interessante...O melhor de tudo foi quebrar o estresse do convívio com a presença do amigo do Eduardo, o Eric, que é muito gente boa. Aqui...Só uma dica....rs...Quando forem para lá, liguem para ele...rs.

No primeiro dia o Rodrigo e eu fomos na roda gigante enquanto o Eduardo foi dar um passeio pelas redondezas. Vale pela vista privilegiada do Big Ben e do Parlamento. Nos outros dias visitamos o Palácio de Buckingham, a Tower Bridge, a faixa dos Beatles, o Parque de St. James, o Castelo de Windsor....Não me lembro bem. Dessa viagem as melhores recordações são com certeza os esquilos do parque, a raposa caminhando pela rua do nosso hotel e as casas em estilo romântico. O perfeito funcionamento do metrô também me impressionou.

Roma de novo

Depois de muito carregarmos malas pesadas e de ter enfrentando um vôo estranho da Ryanair que mais parecia uma feira aérea, chegamos ao nosso hotel quatro estrelas em Roma. Mais uma boa descoberta do Eduardo: um hotel divino, com quarto enorme, banheira e muita mordomia por apenas 55 euros os três dias. Tem coisas....que só o Eduardo faz para você! O único problema: era muito, muito difícil sair de lá. A sorte é que Roma inspira....

Apesar do pouco tempo, tivemos como fazer passeios bons. Vimos a Fontana de Trevi – o melhor de tudo é que eu já tinha assistido La Dolce Vita -, a Piazza Spagna, a Navona, o Museu do Vaticano, a Capela Sistina, o Panteão, o Coliseu por dentro e o Fórum romano. Só para dizer o quanto a viagem foi especial e perfeita: o último dia em Roma teve arco-íris e revoada de muitos, muitos, muuuitos pássaros. Foi lindo!!! Dava para ver na carinha do Rodrigo a felicidade com a viagem. E eu não pude deixar de pensar que sou mesmo uma pessoa privilegiada por ter tanta coisa boa na vida...