segunda-feira, 28 de julho de 2014

Viagem América do Sul - parte 5: Peru

Lamentei muito mesmo ter deixado o Peru para o final da viagem, porque é um país maravilhoso e a minha bateria já estava praticamente esgotada. Mas não havia muito o que fazer. Eram muitos os destinos e um deles ia acabar sendo sacrificado mesmo.


Cheguei em Lima no dia 1º de julho ha hora do almoço e minha primeira impressão da cidade, lá do alto do avião, foi: tem cor de tijolo (rs). Depois, olhando para o céu, vi tudo tão cinza que pensei que iria chover. Mas o detalhe é que lá não chove nunca e o céu fica sempre encoberto. Que coisa, né?


A cor de tijolo e o cinza do céu, porém, não descrevem a cidade lá debaixo. Ela é cheia de construções coloridas e para mim a cor amarela gritava aos olhos. E eu ficava olhando tudo e buscando referências para um dia construir uma casa parecida. O amarelo é uma cor que amo muito.


Fiquei hospedada em um hostal super bacana chamado Pradera, bem em Miraflores. Como estava muito curiosa para conhecer a cidade acabei embarcando em um daqueles ônibus turísticos para fazer um city tour. Foi até legal porque, como não havia pesquisado nada sobre a cidade, deu para saber o que fazer nos três dias seguintes.


A única parada mais demorada do city tour foi para visitar as catacumbas da Igreja São Francisco. Além da construção amarela (!!!!) linda e cheia de azulejos, é um lugar bem curioso porque abriga muitas ossadas. E o guia disse que, antes de protegerem os ossos com vidros, os turistas gostavam de levá-los como “regalos”. Cruzes, como as pessoas são mórbidas!




No dia seguinte fui conhecer Miraflores melhor, porque é um bairro que aparece bastante nos livros do Mário Vargas Llosa, esse escritor que eu amo (e que a Lian chama de reaça, mas não consigo enxergá-lo assim!...rs). Fui até o Parque Del Amor, onde tem uma escultura enorme de um casal se beijando (nem gosto pouco...rs). O lugar é cheio de flores e mosaicos e me lembrou muito o parque Güel do Gaudí (me perdoem se o nome do parque estiver errado porque estou com preguiça de pesquisar...rs).






Do parque fui até o shopping Larcomar e na saída um taxista me abordou. Foi muito educado e tal, mas taxista em Lima é um problema. Além de pouco confiáveis ainda ficam insistindo muito para fazermos passeios com eles. Resumindo: não querem descolar. Mais tarde passaria por uma experiência muito ruim com um outro que dobrou o preço combinado só porque pedi para parar no caixa eletrônico. Queria ser superior, mas desejei uma leve trombadinha dele com um poste. Só confiei mesmo quando chamei o taxista pelo aplicativo Easy, porque eles ao menos parece que têm uma tabela de preço. Como você precisa negociar antes o valor da corrida, ficar dependendo da honestidade do taxista é um problema….


Enfim, este primeiro taxista me deixou em Huaca Pucllana, que é um dos sítios arqueológicos de Lima. E ele só resiste há tantos anos (é uma civilização pré-inca, mas bem pré mesmo: tipo uns mil anos antes...rs) porque não chove na cidade! Que loucura. O lugar é todo construído em bairro, é fascinante. O passeio guiado dura uns 50 minutos e é bem bacana.





De lá fui com o outro taxista pilantra para Barranco, um bairro pra lá de charmoso de Lima. Não, tudo que você pensou em charme foi pouco. O bairro é bacanérrimo e dizem que ferve à noite e que é um reduto de artistas. Eu já fiquei apaixonada mesmo indo fora do horário que deveria. Antes de perambular por lá almocei um ceviche delicioso com pisco. O inconveniente foi que colocaram um troço que parecia tomate no prato e mordi com gosto - só que era uma terrível pimenta! Quase morri, sério.








À noite fui com meu amigo peruano conhecer o Parque de la Reserva - das coisas legais que só quem mora lá te indica. Me diverti como uma criança, quem for a Lima não poder perder. O parque tem várias fontes diferentes de água: uma que jorra água a léguas de distância, outra dançante com luzes e música, outra em forma de túnel e, a mais legal de todas, é um labirinto onde o desafio é tentar não se molhar. Fiquei um tempão vendo esta última fonte e rindo à beça dos aventureiros. No fim fomos lanchar na Luccha, uma sanduicheria ótima em Miraflores. Fica a dica.


Meu último dia em Lima também foi acompanhada deste amigo, que me levou para conhecer o centro histórico. Caminhamos pela Plaza de Armas, pelas ruas, igrejas e museus. Depois entramos no Museu do Banco Central que tinha uma visita guiada e de graça! Vale a pena, o museu tem uma coleção incrível de objetos de vários impérios como Nasca, Inca, Chancay...E uma pinacoteca e uma coleção de artesanatos também.


No almoço meu amigo me apresentou todas as principais delícias gastronômicas do Peru. Gente, se um dia vocês forem a Lima eu empresto meu amigo, ele é muito bacana e se dispôs a receber de braços abertos meus amigos que estiverem por lá...hehee. Enfim, uma vez em Lima não percam: ceviche, leite de tigre e chicha


De lá fomos visitar San Marcos, a universidade do Mário Vargas Llosa. Estava lendo Conversa na Catedral (adivinha qual escritor?..rs), que falava da universidade e decidi conhecê-la. Encontramos um grupo de brasileiras que ficaram encantandas em ver como meu amigo falava bem o espanhol..hahaha (depois contamos que ele era peruano...rs).





Por fim terminamos o passeio com uma visita super mórbida ao Museu da Santa Inquisição. Por motivos óbvios não tenho registros dos calabouços e objetos de tortura.


De Lima segui para Cusco, essa cidade linda e maravilhosa. Cheguei por volta das 6 horas da manhã e a dona do hostal que eu ia ficar me buscou. Aliás recomendo a pousada Inka Manco Capac: fica a uns 25 minutos a pé do centro, mas é bem confortável e a dona é educadíssima. Ela me ofereceu chá de coca assim que cheguei para eu resistir à mudança de altitude e me ajudou em várias coisas.


Depois de descansar um pouco fui ao centro comprar os passeios. O primeiro que fiz foi bem light, porque a recomendação de todos é nunca se esforçar demais no primeiro dia em Cusco por causa da atitude. Tive sorte de não passar mal, mas realmente o cansaço era muito grande.


Fiz um city tour em que visitei lugares como Qoricancha (um templo inca que foi transformado em catedral pelos espanhóis), Sacsayhuaman, Qenpo, Pucapucara e Tambomachay. Gente, amo demais esses nomes. Quem me dera eu guardasse isso tudo na memória. A língua quechua é linda.









No outro dia fui conhecer o Valle Sagrado. A primeira parada foi em Pisaq, e realmente não me lembro nada do que a guia explicou (rs). É um lugar cheio de ruínas. Nessa cidade visitamos uma joalheira, onde vimos a montagem de peças de prata. Enlouqueci, porque além de ser tudo lindo era também muito barato. Acabei comprando um anel com a bandeira de Cusco e um pingente inca.


No almoço paramos em Urubamba e de lá fomos para Ollantaytambo. Aí sim um lugar espetacular, que parece uma escadaria. Fomos escalando, escalando...E no final eu já não tinha fôlego para mais nada. No retorno passamos em Chinchero para ver uma igreja. No retorno ao meu hotel um taxista muito simpático falou na língua quechua que eu era muito bonita e tinha olhos de estrela. Os taxistas de Cusco são de bem melhor qualidade do que os de Lima!..heheh








O último dia foi dedicado, obviamente, a Machupicchu. Passeio caro (100 dólares para entrar, R$ 100 dólares de passagem de trem). Mas como dizer que não compensa ver uma das maravilhas do mundo moderno? É um lugar espetacular do início ao fim. Acho que das paisagens com intervenção humana é a mais linda que já vi na vida. E Machupicchu é tão cheio de energia boa...Mas, como eu disse, pena que minha bateria já tinha acabado.







Esqueci de dizer algo importante: o Peru é um lugar barato, mas separem um bom dinheiro para os artesanatos. Tem coisa linda demais! Eu queria ter me acabado comprando tudo! Aliás, por que não fiz isso?????

Reportagem - Punta Arenas (Chile)

A matéria sobre a região dos Magalhães que saiu no O Popular nesta segunda-feira (28 de julho) ;)



Na rota do fim do mundo

Punta Arenas, cidade chilena, é a porta de entrada para conhecer paisagens deslumbrantes no extremo sul da América

Erika Lettry - De Punta Arenas (Chile) Especial para O Popular

O Chile é um dos países da América do Sul com as paisagens mais contrastantes que você poderá conhecer. Do deserto aos vales salpicados de neve, o que não falta são razões para deliciar e surpreender os olhos. Dentro desta diversidade a região dos Magalhães e Antártica Chilena, no extremo sul do Chile, se destaca por reunir cenários que incluem lagos, cavernas, cachoeiras, geleiras e até vulcões inativos.

A porta de entrada para este mundo é Punta Arenas, uma cidade com mais de 130 mil habitantes que durante muito tempo foi o principal porto de navegação entre os oceanos Pacífico e Atlântico, antes da abertura do Canal do Panamá. A partir dela fica fácil conhecer destinos como o Parque Torres del Paine, Pali Aike e a Ilha Madalena - esta última cheia de pinguins.

Com um clima rigoroso especialmente para os padrões brasileiros (nesta época do ano a temperatura chega fácil a dois graus negativos), a região dos Magalhães (também conhecida como a rota do fim do mundo) exige preparo. Luvas, casacos e botas impermeáveis são itens necessários nesta cidade que gosta de surpreender pelo clima. Você pode estar em um lindo passeio ensolarado e de repente avistar uma torrencial chuva de granizo.

Dentro desta lógica, para visitar o Parque Torres del Paine também é preciso se precaver. O passeio é longo e as paradas para descanso quase inexistentes - o que te obriga a levar mantimentos como água e comida. As agências oferecem o passeio de dia inteiro de carro, onde é possível conhecer os principais pontos do parque. Porém, apenas para chegar a este destino, são 300 quilômetros de estrada até Puerto Natales, a cidade que o abriga. E o parque em si não deixa a desejar em termos de extensão, com uma superfície de mais de 227 mil hectares.

Quem dispõe de mais tempo costuma optar por fazer todo o circuito a pé, acampando durante o caminho. Conhecer o local desta maneira exige pelos menos quatro dias e muito fôlego. Mas quem já experimentou não se arrepende. A principal atração deste parque mais visitado do Chile (são 155 mil pessoas por ano) é a Cordilheira Paine, onde se projetam três pontas de granito conhecidas como as Torres del Paine. Mas há também lagos com águas azuis e desprendimentos de gelo que costumam impressionar quem não está acostumado com as paisagens geladas.

Um dia com os pinguins

A região dos Magalhães não tem destinos fáceis. Cada passeio fora de Punta Arenas exige perseverança. A Isla Magdalena é um exemplo. Embora próxima de Punta Arenas - 35 quilômetros -, é preciso pegar estrada e um barco. Você chega até onde estão os pinguins por volta das 15 horas - e às 16 horas já tem de fazer o caminho de volta.

Declarada Patrimônio Natural em 1982, a ilha abriga diversas espécies de animais. Os mais famosos deles são os pinguins, que chegam por volta de setembro e lotam a ilha para a alegria dos turistas. Não à toa a ilha é apelidada de pinguineira, porque fica toda ocupada por filhotes que fazem a população de pinguins aumentar para até 120 mil.

Mas não se desanime se na época do ano em que você estiver na região dos Magalhães esta super população de pinguins já estiver ido embora. Há uma família de pinguins-reis que desafia a lógica dos estudiosos e permanece na ilha durante todo o ano. Observá-los só é possível a distância - o território, de propriedade particular, é todo demarcado. O silêncio também é imprescindível para não pertutbar os pinguins - o que deixa a experiência de observá-los quase mística.


Pali Aike: o primo pobre

Um passeio pouco procurado pelos turistas mas igualmente interessante é o Parque Nacional Pali Aike, com uma superfície de 3 mil hectares localizada no distrito de San Gregorio. A 195 quilômetros de Punta Arenas, o parque é um extenso campo vulcânico de que dá origem a uma paisagem composta por montes e vulcões. A expressão Pali Aike, aliás, significa “lugar desolado” em aónikenk, língua originária dos povos da Patagônia.

O passeio começa na Lagoa Ana, lugar preferido dos guanacos, aqueles animais peludos que lembram as lhamas. De lá são quase duas horas de trilha a pé até a cratera Morada do Diabo - a vista lá de cima, em um fim de tarde, é espetacular e vale a pena todo o sacrifício.

Nesta época do ano, contudo, os dias estão mais curtos e é preciso ser ágil para não perder o passeio mais importante, até a cova Pali Aike. Neste lugar foram encontradas evidências arqueológicas de populações que a usaram como abrigo há 11 mil anos atrás. O terreno até chegar até a cova é bem acidentado e a iluminação, ao anoitecer, é inexistente. Por isso a necessidade de não se deixar deslumbrar por tanto tempo na cratera e acabar perdendo este cenário.


O que fazer em Punta Arenas

■ Zona Franca
A primeira parada de quem visita Punta Arenas deve ser a Zona Franca, para comprar a um preço mais em conta itens como casacos e botas impermeáveis - necessários para quem vai enfrentar a neve. A Zona Franca fica perto do centro da cidade e oferece artigos como perfumes, roupas, sapatos, eletrônicos, bebidas, celulares e até carros.
■ Cemitério Municipal
O cemitério fica em frente a Avenida Bulnes é o mais antigo da cidade, tendo sido fundado em 1894. Repleto de mausoléus e capelas e de altíssimos arbustos podados, o Cemitério tem um aspecto totalmente peculiar. Dentro dele está localizada a escultura de um índio que, dizem, ao ter sua mão beijada, realiza seus desejos tempos depois. Não custa tentar.■ Museu Regional dos Magalhães
Localizado no centro histórico, o museu foi a mansão da família Braun Menéndez e está rodeada de jardins e árvores centenárias. Ele abriga importantes coleções de mobiliário e objetos do período de ouro da região dos Magalhães. Há também uma exibição histórica do processo de povoamento do território austral até a consolidação de Punta Arenas.
■ Palácio Sara Braun
O Palácio Sara Braun foi desenhado pelo arquiteto Numa Mayer em Valparaíso, no Chile, em 1895. Sua construção se deu ao longo de quatro anos e se tornou a residência de Sara Braun, sendo hoje pertencente ao Club de la Unión de Punta Arenas. O prédio é de estilo neoclássico francês e traz em sua decoração toda a aura da belle époque parisiense.

Preços

Entradas
■ Parque História da Patagônia: 12 mil pesos (R$ 46)
■ Parque Torres del Paine: 10 mil pesos (R$ 40)
■ Pinguineira: 12 mil pesos
(R$ 46)
■ Parque Pali Aike: 500 pesos (baixa temporada) ou R$ 1,95

Passagens
A partir de 902 dólares partindo de Goiânia

Hotéis
5 diárias para uma pessoa sai a partir de R$ 260

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Reportagem - Ilha de Páscoa

Compartilhando a matéria que escrevi para o jornal O Popular sobre a Ilha de Páscoa. Bem mais útil que as impressões pessoais ;)



Os mistérios da Ilha de Páscoa

A ilha pertencente ao Chile e que é um dos lugares mais isolados do planeta atrai turistas do mundo inteiro com sua paisagem peculiar e as enigmáticas esculturas talhadas em pedra

Erika Lettry - De Hanga Roa, Ilha de Páscooa, especial para o popular

21 de julho de 2014 (segunda-feira)

Uma ilha de 24 quilômetros de comprimento nascida da emergência de três vulcões e que abriga misteriosas esculturas a céu aberto. A Ilha de Páscoa, pertencente ao Chile mas distante de sua costa oeste cerca de 3,7 mil km, mais de cinco horas de avião, é um dos destinos mais insólitos da Terra. O isolamento não é mera sensação: trata-se de um minúsculo pedaço de chão rodeado pelo Pacífico e que é considerado um dos pontos mais distantes do planeta. Esta certeza você terá assim que avistar a ilha inteira do avião. Uma visão única de um lugar extraordinário.

A natureza peculiar que inclui cavernas e vulcões, o exótico povo rapanui, de origem polinésia, sua história controvertida e os moais (esculturas humanas talhadas em pedra) são razões suficientes para lotar diariamente os dois únicos aviões que atualmente desembarcam em Hanga Roa, capital da ilha: um partindo de Santiago, no Chile, e outro de Papeete, da Polinésia Francesa. Depois que os voos que saíam de Lima foram extintos, há uma possibilidade de o Brasil ser premiado com uma linha direta de Guarulhos.

Por muito tempo esquecida e vítima de sérias crises de sobrevivência decorrentes de sua geografia, a Ilha de Páscoa aproveita como pode as vantagens de ter entrado no coração de turistas do mundo inteiro. A infraestrutura hoteleira é completa – com opções de luxo e para mochileiros –, há diversos restaurantes, táxis, lojas de locação de carros e bicicletas e serviços turísticos vendidos por agências.

A parte mais difícil mesmo é preparar os bolsos para a empreitada, embora nada seja impeditivo. Paga-se o custo de uma viagem que pode-se considerar quase como exclusiva.

Para explorar a ilha

Há diferentes formas de explorar a ilha. Por não ser muito grande, há quem se anime a alugar bicicletas para percorrer as atrações. O mais comum, contudo, é alugar carros ou combinar pacotes com os taxitas. Estas modalidades permitem ao turista visitar os destinos sem se preocupar com horários predefinidos. Mas, a não ser que você tenha um bom guia impresso nas mãos, o recomendável é mesmo procurar as agências de turismo para que o guia possa explicar detalhes da história da ilha – você vai se fascinar e descobrir que tudo que pensava conhecer não era verdade.

No centro da cidade, em frente à orla, há um guichê de informações que pode ser muito útil para ajudar a contratar os serviços. Duas agências têm o selo de qualidade e ambas oferecem três tipos de excursões: de dia inteiro, em que o fim do passeio é na praia de Anakena, e dois de meio dia, com visitas a Orongo (onde um vulcão inativo irá lhe fazer perder o fôlego) e Akivi.

O custo total é de cerca de 50 mil pesos chilenos, o equivalente a 200 reais. Isso sem contar o ingresso no Parque Nacional Rapa Nui, que para estrangeiros tem um custo de 60 dólares e pode ser comprado assim que se desembarca no Aeroporto Mataveri.

Ao todo são 25 pontos turísticos oficiais no Parque Nacional Rapa Nui, mas só existe controle de ingresso em Raraku e Orongo devido à fragilidade destes sítios arqueológicos e à necessidade de prevenir o impacto acumulativo. Os rapanuis são muito zelosos de seu patrimônio e qualquer desobediência é bronca na certa – por isso é melhor ficar atento a placas e cordões.

Esculturas são culto aos homens, não aos deuses

Ver pela primeira vez um moai – aquela estrutura gigantesca composta por cabeça e tronco de até 12 metros de altura talhada em pedra vulcânica – é realmente assustador. Centenas de dúvidas surgem na hora, mas as explicações até hoje não convenceram a todos. Como estruturas tão pesadas foram levantadas? Que tipo de tecnologia usaram para empreendê-las?

O fato, contudo, é que em determinado momento você vai deixar de se intrigar pelas obras desta civilização que teve seu auge nos anos 1400 e se perguntar por que tamanha obsessão pelas esculturas – são cerca de 800 espalhadas em toda ilha. E engana-se quem pensa que eram feitas em culto aos deuses.

As estátuas monolíticas eram totalmente dedicadas aos homens mais importantes da ilha. Até serem recuperados por engenheiros no século passado, dizem os nativos que todas estavam caídas. As hipóteses são tsunamis e terremotos.

Cada parte dos sítios arqueológicos é um motivo diferente para se ver tantos moais. Ahu Tongariki, por exemplo, é o cartão-postal da Ilha de Páscoa. Trata-se de uma sequência de 15 moais de costas para a Praia Hotu´iti, declarado o maior monumento do Pacífico Sul. A restauração destas estátuas terminou apenas recentemente, em 1996, graças ao esforço de uma empresa de engenharia japonesa que tinha o intuito de promover seu trabalho para o mundo.

Na quase exclusiva e pequena praia de Anakena, fica um altar de moais que tem algumas das estátuas mais bem conservadas da ilha, algumas delas com o pukao – a estrutura vermelha sobre a cabeça que pode tanto representar os cabelos quanto uma espécie de cocar. Para ver um moai com os olhos pintados, no entanto, o destino é Ahu Tahi. Os olhos foram pintados também no século passado e o único que conserva a pintura original, de coral, está abrigado no Museu Antropológico Padre Sebastián Englert, também localizado na ilha.

Cemitério
Já nas encostas da cratera de Rano Raraku fica um verdadeiro cemitério de moais inconclusos. Todos os moais da ilha, aliás, eram esculpidos na cratera do vulcão Rano Raraku em uma rocha mais maleável e fácil de moldar.

A hipótese para o abandono dos moais é que houve uma crise de sobrevivência na ilha e os homens mais influentes, que encomendavam as esculturas não puderam mais arcar com o custo de sustentar o artista e sua família em troca do trabalho. Neste local estão as esculturas mais estilizadas, que marcam uma espécie de evolução no trabalho dos moais.

Dicas úteis

■ Do aeroporto a qualquer lugar em Hanga Roa, o preço tabelado do táxi é de 3 mil pesos chilenos (12 reais). Já do centro até os hotéis o preço é de 2 mil pesos (8 reais). Para um passeio até a praia de Anakena, que fica um pouco distante, é possível combinar com o taxista o valor de 15 mil pesos (60 reais) ida e volta. Os valores devem ser pagos em dinheiro.■ Os preços de diária de hospedagem variam de 25 mil pesos a 300 mil pesos (100 a 1,2 mil reais).
■ O ideal é ficar pelo menos quatro dias na cidade. No primeiro dia é interessante reconhecer o terreno, saber onde ficam os caixas eletrônicos, empresas de turismo e visitar os locais que vendem artesanato. No segundo, fazer o passeio de dia inteiro; no terceiro, os dois passeios de meio dia, e, no último, aproveitar os cursos de mergulho, que custam cerca de 30 mil pesos (120 reais). No mergulho é possível ver um moai submerso – propositalmente colocado ali, é bom ressaltar.
■ Ver o pôr do sol em Aku Tahai é uma das principais diversões dos turistas. Dá para ir caminhando do centro de Hanga Hoa – são menos de 30 minutos a pé. No inverno do Hemisfério Sul, o sol se põe por volta das 18h30.
■ Para o nascer do sol em Ahu Tongariki, se tiver ânimo para acordar bem cedo, vá de carro alugado ou agende táxi.
■ Para comer, o ceviche com camote (batata-doce) é uma iguaria muito recomendada. Finalize com pisco sour, bebida de limão que lembra muito a nossa caipirinha.
■ Consulte com seu hotel os serviços que são prestados. Em baixa temporada pode ser que não ofereçam venda de água nem o uso de toalhas. Melhor não se surpreender na hora errada.
■ Se a sua estadia incluir um domingo, não esqueça de assistir à missa com músicas cantadas em língua rapanui. Aliás a arquitetura da igreja é bem peculiar, cheia de esculturas do povo de origem polinésia.


terça-feira, 22 de julho de 2014

Viagem América do Sul - parte 4: Santiago

Agora sim voltando à ordem natural das coisas. Depois de Punta Arenas segui para Santiago, onde cheguei no dia 18 de junho. Me custou muito deixar a rota do fim do mundo porque sou daquelas que tem uma agilidade muito grande em entrar na zona de conforto. Mas talvez esta tenha sido a lição mais importante da viagem: ser obrigada a sair da zona de conforto com certa frequência.

Fiquei hospedada em um hostal em Nuñoa, um bairro mega charmoso de Santiago. O inconveniente é que era tão longe do centro que nem minha agência de turismo queria me buscar. Por outro lado ficava pertinho do metrô, de restaurantes, do shopping, do cinema...Tanto que me animei a assistir “A Culpa é das Estrelas” e amei porque entendi tudinho.

Fiquei com dificuldade de passear em Santiago por um motivo bem idiota. Estava um frio de rachar e no meu quarto havia um aquecedor que ficava embaixo da minha cama. Pensem em um trem bom…Sair era sempre um grande sacrifício (rs).

Apesar desta resistência, decidi sair no dia seguinte para um caminhada pelo Paseo Ahumada, no centro histórico. A primeira parada foi na Catedral de Santiago, cuja fachada está sendo reformada. Aliás eles o Chile tem um projeto interessante de recuperação das fachadas dos prédios históricos. Só me pergunto como fica tudo por dentro….

Consegui depois andando sem rumo encontrar o Museu de Arte Pré-Colombiana, que tem um acervo muito bacana de várias civilizações americanas. Eu sou suspeita porque gosto muito de museu. Mas vou confessar logo o lado fútil e dizer que o que mais gostei foi a coleção de adornos. Deu vontade de voltar aos negócios de bijouterias!

Saindo de lá fui ao Museu Histórico Nacional, onde havia uma apresentação dos mapuches em comemoração ao ano novo deles. Fiquei seriamente empolgada com isso, porque saber no meio da viagem que ainda tem ano novo começando por aí foi tão...sei lá...pareceu muita coisa do destino! E como coincidência pouca é bobagem, no hostal em que fiquei hospedada o meu quarto era denominado mapuche. Gente,  me sinto mapuche! (rs)

No dia seguinte fui conhecer o famoso Valle Nevado. O lugar é lindo, mas confesso que em 15 minutos já havia enjoado da paisagem branquinha. Mas a experiência de pisar numa neve bem espessa foi divertida. E mais estranho ainda foi o calor que eu passei no meio daquela neve toda. Gente, não entendo mais nada...Achei que neve era igual frio. Quem explica?





Aqui aproveito para super não recomendar a empresa que contratei, que era a Turistik. Além de ser mais cara, com ônibus mega lotado, achei que ela me desdenhou demais. Não quis me buscar no hotel como fez com os outros turistas, embora não me desse nenhum desconto por isso. E achei o guia meio suspeito, porque jurou de pé junto que iria nevar horrores naquele dia e que precisaríamos alugar várias roupas caríssimas. No medo muita gente alugou tudo. Eu, que já tinha bastante coisa, só aluguei a calça. Só que: nem um floquinho caiu.

Mas esquecendo um pouco isso, o passeio foi legal. Almocei em um restaurante ótimo que tem lá no Valle Nevado. Delícia de comida, tomando vinhozinho enquanto observava o vale...E a sobremesa, um creme brulé, não podia estar mais divina!

No dia seguinte fui conhecer a vinícola Concha y Toro, que faz o nosso amado vinho Casillero del Diablo. Eu amo esse vinho. E amei conhecer o lugar. Além da vinícola ser linda, pudemos degustar três vinhos ótimos: o Trio, um outro que esqueci (rs) e o Dom Melchior, que custa R$ 500 dólares (foi o vinho mais caro que provei na vida...rs).






Primeiro conhecemos o espaço que era a casa de Dom Melchior, depois a vinícola em si e degustamos os dois primeiros vinhos. Daí seguimos para a adega do Casillero del Diablo e achei bacana porque o passeio é cheio de historinhas sobre como surgiu esse nome que provoca a ira de tanta gente (rs). Passam uma animação na parede da vinícola super divertida.

No fim degustamos o Dom Melchior e ganhamos a tacinha de presente. E consegui que ela chegasse inteira no Brasil! Aliás aproveitei a passei na lojinha e fiquei enlouquecida nos itens que eles têm para quem gosta de vinho. Comprei algumas coisinhas para o Rodrigo, naquele típico esquema de presente interesseiro (rs).

No outro dia também conheci outra vinícola, a Veramonte, mas infelizmente não pude comprar nada porque ainda teria de enfrentar muitos aeroportos para me arriscar assim. A partir fui com outra agência bem mais bacana conhecer Valparaíso e Viña del Mar. Em Valparaíso fizemos um city tour que passada pela casa de Pablo Neruda e por um porto cheio de leões marinhos. Mas olha: não vi nada de especial na cidade. Não achei nada bonita. Estou só sendo bem sincera...rs.







Vinã del Mar me pareceu mais simpática, mas meu ânimo com cidade praiana tem sido pequeno ultimamente. Só gostei mesmo do almoço do castelinho porque a comida, apesar de muito cara, estava deliciosa. E, claro, tinha vinho! Recomendo fortemente que não se compre esse passeio por agência porque é muito corrido. Melhor fazer em um esquema próprio mesmo.

No penúltimo dia fui conhecer o Cerro de Santa Lucia, em Santiago mesmo. Só soube da existência dele porque alguns turistas do passeio para Valparaíso comentaram. Mas o lugar é realmente muito charmoso, cheio de construções bonitas. Fiquei com vontade de passar o dia todo lá. Mas criei coragem e continuei a caminhada e acabei encontrando o Museu Colonial, cheio de obras lindas sobre a vida de São Francisco. Fiquei feliz com a descoberta porque era uma baita segunda-feira, dia em que os museus costumam fechar. E o lugar é incrível mesmo.






Antes de embarcar para Ilha de Páscoa não quis me arriscar muito nos passeios em Santiago. Fui apenas ao zoológico para ver o urso polar. Saindo de lá passeio no Pátio Bella Vista para almoçar e achei um lugar bacana para comprar “regalos”. O último compromisso foi fazer a minha nova tattoo em homenagem ao Rodrigo. E, olha, ficou lindinha demais. Já é a minha segunda favorita!




segunda-feira, 21 de julho de 2014

Viagem América do Sul - parte 3: Ilha de Páscoa

Na sequência eu deveria falar sobre os dias que passei em Santigo, no Chile. Mas confesso que a ansiedade em falar da Ilha de Páscoa é tão grande que vou ter de inverter um pouco a ordem. Nada grave.

Realmente não sei explicar porque incluí a Ilha de Páscoa no passeio. Acho que devo ter pensado: “Ah, já que estou no Chile, vou dar um pulinho lá”. Essa sou eu, a inocente geográfica, que nunca sabe em que rumo estão os lugares. Só que a Ilha de Páscoa é bem ali pertinho do Chile - tipo umas seis horas de avião. Quase como ir para a Europa!

Vamos esquecer um pouco a minha jumentice e falar do que interessa. Existem duas formas de chegar à Ilha de Páscoa via aérea: por Santiago ou Papeete. E imagino que seja bem mais fácil chegar por Santiago, tendo em vista que não tenho nem noção da localização de Papeete (tá bom, parei, vou estudar). Há algumas interessantíssimas especulações de que em breve teremos voos diretos partindo do Brasil. Espero mesmo que seja verdade.

Cheguei na ilha no dia 25 de junho e, lá do alto, deu para ver o quão exclusiva, peculiar e incrível ela é. Pense apenas que lá de cima deu para observar por inteiro os 24 quilômetros de comprimento do lugar, rodeados por muita água. Eu sei que quando deixei o Brasil queria sossego, mas lá do alto aquilo me pareceu isolamento demais até para mim! Mentira, fiquei deslumbrada, ainda mais porque deu para ver um vulcão inativo.

Peguei um táxi que em outro lugar me pareceria bem pouco confiável e fui para o meu hotel, o Atavai, que fica meio distante do centro. Mas amei. O quarto é bem confortável e fica tipo como em uma chácara, com estrada de terra e tudo. Mas para ir ao centro a pé são 40 minutos de caminhada. Para mim, que me perdia sempre, acrescente uns 20 minutos a mais. Meu estado de espírito era o seguinte: enquanto caminhava pensava “não acredito que estou aqui, não acredito que estou aqui”. E sentia uma pequena vontade de chorar de alegria.

Neste primeiro dia fiquei só andando pela cidade, sentindo o clima. Fui no Centro de Informações ao Turista que tem em frente à orla e logo procurei uma das agências certificadas para marcar meus passeios. Por três passeios paguei 55 mil pesos. Marquei também o primeiro mergulho da minha vida! Que, para minha grande decepção, não ocorreu. Depois fui percorrendo a cidade e comecei a avistar os primeiros moais, aquelas esculturas enormes que fazem a fama da ilha.







No dia seguinte fiz o primeiro passeio, de dia inteiro. Em vez daquele esquema de agência que mal deixa a gente respirar de tanta correria, esta que contratei tinha um guia rapanui muito bom que, além de contar detalhes da história da ilha, nos deixava um bom tempo de contemplação. Tem gente que até prefere fazer os passeios de bicicleta ou de carro de forma independente para poder aproveitar mais, só que acho que é muito importante mesmo conhecer detalhes da história. Eu não me arrependi.

A primeira atração que visitamos foi Hanga Te´e, onde vimos como os antigos moradores moravam nas cavernas. Em seguida fomos para Akahanga, onde está o complexo com 15 moais que é o cartão-postal da ilha. É tudo muito peculiar. Eu não sabia, mas as esculturas estavam todas no chão até que uma equipe de engenharia do Japão se dispôs a reerguê-las - em troca conquistou uma boa publicidade.



Desta parte fomos para Tongariki, onde fica o vulcão Rano Raraku. Achei esta parte muito interessante porque é onde fica uma espécie de cemitério dos moais. Isso porque as esculturas foram abandonadas em um momento de crise, mas acabou fazendo um dos museus a céu aberto mais lindos do mundo! E os moais dali são mais estilizados, mais modernos, uma evolução mesmo do trabalho. E o vulcão em si, com o lago dentro, é incrível. As fotos não conseguem mostrar bem que cores magníficas a gente vê por lá.




Continuamos até Te Pito Kuna (se não me engano a tradução é “umbigo do mundo”), uma pedra super magnética que desnorteia a bússula. Logo, é o pedacinho do Triângulo das Bermudas na Ilha de Páscoa. Terminams a jornada na praia Anakena, que é bem particular e também com moais. Tivemos uma hora para relaxar e contemplar. Eu, que não sou psicologicamente preparada para o frio das águas do Pacífico, só coloquei o meu pezinho na água. E tirei imediatamente!




Nesta vida de viajante solitária acabei enturmando com o guia, que para minha imensa alegria me contou que meu nome em rapanui é Tiare Ne-he Ne-he.

No dia seguinte, depois de passar a noite assustada com a chuva torrencial (pensei que fosse engolir a ilha!), fomos em Ahu Akivi, onde tem o único moai com os olhos pintados. Detalhe que, caminhando do centro até o cemitério já tinha ido lá, mas demorei um tempão para me dar conta disso (rs). Depois vimos mais 7 moais que podem representar os primeiros moradores viajantes que chegaram na ilha.

A tarde, porém, foi a parte mais linda porque fomos a Orongo. Neste passeio visitamos duas cavernas no mar. Em uma delas havia pinturas no teto, datada de 1500. Aliás as cores desta caverna também são incríveis, não consegui descobrir se eram naturais ou da pintura mesmo. Depois vimos dois vulcões lindos, um deles virado para o mar, e as 3 ilhotas onde antes o povo originário fazia jogos em que o primeiro que trouxesse da ilha um ovo de ave seria o vencedor e se tornaria rei. Apenas que: a vida já era muito complicada e o povo gostava de complicar mais, né?





No dia seguinte estava sonhando acordada com o mergulho que faria. Mas, depois de torrar a paciência dos chilenos torcendo desesperadamente para o Brasil na Copa do Mundo, acho que eles não ficaram com boa vontade comigo e cancelaram o passeio. Mas a justificativa foi o clima que não favoreceu. Sei...rs.

Em todo caso o meu último dia na Ilha foi pra lá de especial. Fui assistir à missa em rapanui e estava sendo comemorado o Dia de São Pedro. A festa organizada pelos pescadores foi linda! Eles fizeram uma celebração com barcos no meio do oceano, com canções. Era só para os moradores irem, mas é lógico que minhas amigas chilenas e eu nos infiltramos e entramos em um barco! Foi DIVINO!!!



Além de presenciar esse momento único, depois ainda teve festa na cidade. Distribuíram comida pra todos. Mas não era pouca coisa, não. Tinha curanto (uma carne cozida na folha de bananeira), camote (batata-doce), bananas, doce de batata-doce - e a porção individual era suficiente para alimentar toda minha família por dois meses (rs).

Com a barriga cheia colocamos o pé na areia (rs) e fomos novamente a Anakena para aproveitar melhor a praia. Detalhe que acabamos dormindo por lá. Que vergonha...rs.

Nem preciso dizer que é um lugar incrível, né? E que quem ler isso aqui vai me fazer o incrível favor de visitar a ilha? Fico muito grata!