segunda-feira, 21 de julho de 2014

Viagem América do Sul - parte 3: Ilha de Páscoa

Na sequência eu deveria falar sobre os dias que passei em Santigo, no Chile. Mas confesso que a ansiedade em falar da Ilha de Páscoa é tão grande que vou ter de inverter um pouco a ordem. Nada grave.

Realmente não sei explicar porque incluí a Ilha de Páscoa no passeio. Acho que devo ter pensado: “Ah, já que estou no Chile, vou dar um pulinho lá”. Essa sou eu, a inocente geográfica, que nunca sabe em que rumo estão os lugares. Só que a Ilha de Páscoa é bem ali pertinho do Chile - tipo umas seis horas de avião. Quase como ir para a Europa!

Vamos esquecer um pouco a minha jumentice e falar do que interessa. Existem duas formas de chegar à Ilha de Páscoa via aérea: por Santiago ou Papeete. E imagino que seja bem mais fácil chegar por Santiago, tendo em vista que não tenho nem noção da localização de Papeete (tá bom, parei, vou estudar). Há algumas interessantíssimas especulações de que em breve teremos voos diretos partindo do Brasil. Espero mesmo que seja verdade.

Cheguei na ilha no dia 25 de junho e, lá do alto, deu para ver o quão exclusiva, peculiar e incrível ela é. Pense apenas que lá de cima deu para observar por inteiro os 24 quilômetros de comprimento do lugar, rodeados por muita água. Eu sei que quando deixei o Brasil queria sossego, mas lá do alto aquilo me pareceu isolamento demais até para mim! Mentira, fiquei deslumbrada, ainda mais porque deu para ver um vulcão inativo.

Peguei um táxi que em outro lugar me pareceria bem pouco confiável e fui para o meu hotel, o Atavai, que fica meio distante do centro. Mas amei. O quarto é bem confortável e fica tipo como em uma chácara, com estrada de terra e tudo. Mas para ir ao centro a pé são 40 minutos de caminhada. Para mim, que me perdia sempre, acrescente uns 20 minutos a mais. Meu estado de espírito era o seguinte: enquanto caminhava pensava “não acredito que estou aqui, não acredito que estou aqui”. E sentia uma pequena vontade de chorar de alegria.

Neste primeiro dia fiquei só andando pela cidade, sentindo o clima. Fui no Centro de Informações ao Turista que tem em frente à orla e logo procurei uma das agências certificadas para marcar meus passeios. Por três passeios paguei 55 mil pesos. Marquei também o primeiro mergulho da minha vida! Que, para minha grande decepção, não ocorreu. Depois fui percorrendo a cidade e comecei a avistar os primeiros moais, aquelas esculturas enormes que fazem a fama da ilha.







No dia seguinte fiz o primeiro passeio, de dia inteiro. Em vez daquele esquema de agência que mal deixa a gente respirar de tanta correria, esta que contratei tinha um guia rapanui muito bom que, além de contar detalhes da história da ilha, nos deixava um bom tempo de contemplação. Tem gente que até prefere fazer os passeios de bicicleta ou de carro de forma independente para poder aproveitar mais, só que acho que é muito importante mesmo conhecer detalhes da história. Eu não me arrependi.

A primeira atração que visitamos foi Hanga Te´e, onde vimos como os antigos moradores moravam nas cavernas. Em seguida fomos para Akahanga, onde está o complexo com 15 moais que é o cartão-postal da ilha. É tudo muito peculiar. Eu não sabia, mas as esculturas estavam todas no chão até que uma equipe de engenharia do Japão se dispôs a reerguê-las - em troca conquistou uma boa publicidade.



Desta parte fomos para Tongariki, onde fica o vulcão Rano Raraku. Achei esta parte muito interessante porque é onde fica uma espécie de cemitério dos moais. Isso porque as esculturas foram abandonadas em um momento de crise, mas acabou fazendo um dos museus a céu aberto mais lindos do mundo! E os moais dali são mais estilizados, mais modernos, uma evolução mesmo do trabalho. E o vulcão em si, com o lago dentro, é incrível. As fotos não conseguem mostrar bem que cores magníficas a gente vê por lá.




Continuamos até Te Pito Kuna (se não me engano a tradução é “umbigo do mundo”), uma pedra super magnética que desnorteia a bússula. Logo, é o pedacinho do Triângulo das Bermudas na Ilha de Páscoa. Terminams a jornada na praia Anakena, que é bem particular e também com moais. Tivemos uma hora para relaxar e contemplar. Eu, que não sou psicologicamente preparada para o frio das águas do Pacífico, só coloquei o meu pezinho na água. E tirei imediatamente!




Nesta vida de viajante solitária acabei enturmando com o guia, que para minha imensa alegria me contou que meu nome em rapanui é Tiare Ne-he Ne-he.

No dia seguinte, depois de passar a noite assustada com a chuva torrencial (pensei que fosse engolir a ilha!), fomos em Ahu Akivi, onde tem o único moai com os olhos pintados. Detalhe que, caminhando do centro até o cemitério já tinha ido lá, mas demorei um tempão para me dar conta disso (rs). Depois vimos mais 7 moais que podem representar os primeiros moradores viajantes que chegaram na ilha.

A tarde, porém, foi a parte mais linda porque fomos a Orongo. Neste passeio visitamos duas cavernas no mar. Em uma delas havia pinturas no teto, datada de 1500. Aliás as cores desta caverna também são incríveis, não consegui descobrir se eram naturais ou da pintura mesmo. Depois vimos dois vulcões lindos, um deles virado para o mar, e as 3 ilhotas onde antes o povo originário fazia jogos em que o primeiro que trouxesse da ilha um ovo de ave seria o vencedor e se tornaria rei. Apenas que: a vida já era muito complicada e o povo gostava de complicar mais, né?





No dia seguinte estava sonhando acordada com o mergulho que faria. Mas, depois de torrar a paciência dos chilenos torcendo desesperadamente para o Brasil na Copa do Mundo, acho que eles não ficaram com boa vontade comigo e cancelaram o passeio. Mas a justificativa foi o clima que não favoreceu. Sei...rs.

Em todo caso o meu último dia na Ilha foi pra lá de especial. Fui assistir à missa em rapanui e estava sendo comemorado o Dia de São Pedro. A festa organizada pelos pescadores foi linda! Eles fizeram uma celebração com barcos no meio do oceano, com canções. Era só para os moradores irem, mas é lógico que minhas amigas chilenas e eu nos infiltramos e entramos em um barco! Foi DIVINO!!!



Além de presenciar esse momento único, depois ainda teve festa na cidade. Distribuíram comida pra todos. Mas não era pouca coisa, não. Tinha curanto (uma carne cozida na folha de bananeira), camote (batata-doce), bananas, doce de batata-doce - e a porção individual era suficiente para alimentar toda minha família por dois meses (rs).

Com a barriga cheia colocamos o pé na areia (rs) e fomos novamente a Anakena para aproveitar melhor a praia. Detalhe que acabamos dormindo por lá. Que vergonha...rs.

Nem preciso dizer que é um lugar incrível, né? E que quem ler isso aqui vai me fazer o incrível favor de visitar a ilha? Fico muito grata!

2 comentários:

  1. E lá é super quente? Porque suas fotos saíram de super encasacada para blusa de alcinha! :) As fotos estão estonteantes, mas acho que ainda prefiro uma civilização bem urbanizada pra encarar sozinha. rs

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  2. Nem estava tão quente, mas depois do frio que passei me pareceu clima de deserto...rs.

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