terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Que venha - e seja gentil


E porque as forças para aguentar o ano do cavalo estão se acabando, decidi voltar ao calendário cristão e decretar que no dia 1º de janeiro já me sentirei em um ano totalmente novo. Embora tenha sido a tradição chinesa a melhor a descrever esse terremoto-tsunami-vulcão-tempestade chamado 2014, simplesmente não tenho condições psíquicas para esperar pelo dia 19 de fevereiro (dia do início do ano novo chinês e do aniversário do Rodrigo, diga-se de passagem).

Tenho plena consciência de que o parágrafo anterior nada mais é do que uma ilusão de que eu detenho o controle de algo. Sei disso, mas será que podemos ir devagar nos aprendizados deste ano? Grata. Prometo continuar a busca de coração aberto e um dia vou chegar lá.

Nesta virada de ano vou quebrar uma tradição que me acompanha há anos, que é de fazer a lista de todos os meus projetos. Primeiro porque este ano não conquistei nenhum item da minha lista. E segundo porque conquistei coisas muito, mas muito mais importantes do que eu poderia ter planejado (dentre as publicáveis: meu novo trabalho, meu diploma da UERJ - 8 anos de espera! -, a terapia, a yoga e uma viagem que foi o oásis no meio do deserto).

Com meu empenho habitual e um pouco mais de generosidade comigo, vou adotar o lema do grande pensador contemporâneo Zeca Pagodinho: deixa a vida me levar. E que 2015 seja lindamente gentil com todos nós.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

As cores do ano novo


Apesar de toda correria, pressão pelo consumo e comilança das festas, fim de ano é uma época que me agrada muito. Vejo como uma oportunidade de recomeço, de sonhar, traçar metas, de fazer tudo ainda melhor do que antes. Claro que não deixo isso apenas para a virada, pois acredito piamente que cada dia é uma oportunidade de recomeço. Não sou do tipo que faz dieta na segunda-feira e depois joga tudo para o alto. Posso começar uma dieta na sexta-feira sem drama (dieta é um péssimo exemplo porque nem faço mais). Procrastinar não faz parte do meu vocabulário de ansiosa. Mas o fim do ano eu não sei, tem uma aura especial que me motiva ainda mais.

Confesso que fico ligeiramente supersticiosa nessa época. Sou das que usam roupa  nova, da cor com o que desejo para a vida e acho totalmente obrigatório estar ao lado do Rodrigo exatamente à meia-noite, para ter a certeza de que estaremos juntos o ano inteiro. Então vocês podem calcular o quanto estou planejando a virada de ano para me despedir deste 2014 que, vá lá, foi de muito aprendizado e blá blá blá, mas que pesou imensamente nas minhas costas e por isso não consigo evitar aquele desejo de que ele vá logo - e nunca mais volte! Para confirmar minha superstição, não sei porque cargas d´água este ano passei o réveillon de preto. De preto! Isso explica tudo (rs). Agora, mais atenta, pretendo estar inteiramente de azul. Traduzindo: paz espiritual.

O foco estará no azul, mas sabe como é...quero tudo na vida!!! Por isso depois das aulas de mandala da Lian, estou confeccionando algumas para teoricamente enfeitar o réveillon na minha casa. E o rosa do amor não pode voltar, bem como o laranja de energia, o amarelo de riqueza, o verde de equilíbrio e o violeta de inspiração. E assim 2015 vai ser supimpa!

domingo, 30 de novembro de 2014

Da permanência do amor



Em quase nove anos de história, nunca estivemos tão distantes geograficamente um do outro como em 2014. Nem nunca atravessamos uma fase tão desafiadora, que nos fez parar e prestar mais atenção um no outro. Sofremos, experimentamos a distância, avaliamos cada aspecto da nossa vida em conjunto e do nosso próprio ser. Não foi fácil olhar para nós mesmos e descobrirmos tantos lados desconhecidos. Não foi fácil encarar nossas sombras quando achávamos que éramos apenas luz. Mas este ano nos deu uma oportunidade única que agarramos com toda a vontade e fez com que nossa história se tornasse ainda mais verdadeira. Compreendi os ciclos da vida e a razão para que a cada dia você esteja presente neles. Você não é menos que muito especial na minha vida. Já de admirava por seu caráter, inteligência, sensibilidade. Hoje admiro o homem que você é por inteiro, com todas as suas falhas e qualidades. Atravesso 2014 com ainda mais certeza do amor que comecei a nutrir por você ainda lá na faculdade, quando éramos os melhores amigos do mundo. Meu coração é pequeno para o tamanho do que sinto por você. Só queria que, no meio desse ano difícil, você e todos os poucos que leem esse blog soubessem. Daqui uns dois ou três meses, quando lembrar que este blog existe, você vai ler tudo isso (rs) e espero que se sinta bem com o que escrevi. Te amo cada vez mais. E agora deixo uma musiquinha que acho que descreve tão lindamente nossa história!



Aconteceu
Aconteceu quando a gente não esperava Aconteceu sem um sino pra tocar Aconteceu diferente das histórias Que os romances e a memória Têm costume de contar Aconteceu sem que o chão tivesse estrelas Aconteceu sem um raio de luar O nosso amor foi chegando de mansinho Se espalhou devagarinho Foi ficando até ficar Aconteceu sem que o mundo agradecesse Sem que rosas florescessem Sem um canto de louvor Aconteceu sem que houvesse nenhum drama Só o tempo fez a cama Como em todo grande amor

sábado, 29 de novembro de 2014

Orientações para contato com o Ser

Como toda jornalista que se preze, ao entrar em contato com um assunto tento pesquisar tuuuuuuudo sobre ele. Creio que sempre no intuito de me tornar especialista em generalidades. Como estou muito contente com minha terapia, obviamente que estou pesquisando a linha da minha terapeuta e tentando entender um pouco mais esse universo. Pelo que entendi ela segue a linha de um médico chamado Dimas e, nas sessões, falamos muito sobre o Ego e Eu Superior. Olhando o site dele encontrei algumas orientações para o contato com o Ser que achei interessantes e compartilho aqui para quem interessar possa. O site dele tem outros assuntos legais http://www.dimascalegari.med.br/

Orientações para contato com o Ser

  1. Fale de si próprio, deste seu momento e não do outro ou de sua história.
  2. Retome constantemente suas sensações corporais, sentimentos e emoções.
  3. Expresse o que sente através de suspiros, choro, emoção, anseios de tocar, apoiar o outro ou pedir ajuda.
  4. Nomeie o que sente e reflita sobre o que sente; reflita sobre seu próprio Eu.
  5. Comunique ao outro as reflexões que faz sobre si mesmo. Afirme seu Eu!
  6. Ouça atentamente o que o outro fala dele mesmo. Olhe-o diretamente. Afirme e receba o Eu que se comunica!
  7. Tome consciência de sua resposta interna (sensação, sentimento, emoção) ao receber a comunicação da outra pessoa.
  8. Expresse e comunique suas sensações, sentimentos e emoções em relação à comunicação do outro. Não fale dele, não o julgue, não o analise, não o avalie; comunique apenas o que você sente internamente! Por exemplo: "Eu me sensibilizo com sua dor, sua situação move também a minha dor".
  9. Só dê sua opinião quando o outro solicitar alguma avaliação ou conselho, porém comece sempre expondo como você se sente no momento. Por exemplo: "Eu me sinto sensibilizado com sua pessoa e como você está me permitindo, gostaria de dizer-lhe que..."
  10. Clareie para você mesmo o que você percebe, o que você sente e o que você pensa sobre o outro. Você pode percebê-lo cabisbaixo, triste, sentir-se preocupado com ele, e talvez esteja muito interessado em saber o que se passa. Não interprete o estado dele. Seja franco e direto: "Eu o percebo cabisbaixo, estou preocupado com seu estado e gostaria de saber o que se passa com você, se você se sentir à vontade para se expor!. É importante aceitá-lo não disponível para se expor!
  11. Desfrute de seus momentos de contato com seu Ser, não importando onde você esteja: num bar, numa roda de amigos, numa relação amorosa, num momento de sua espiritualidade, etc.

domingo, 23 de novembro de 2014

Nível de empolgação: avançado


Fiquei feliz em descobrir que tenho ao menos duas leitoras deste blog: a Helen, que deixou recado e que eu respondi mas a mensagem desapareceu, e a Maria, que me deixou um recado que também desapareceu. Quer dizer, esse blog tá de sacanagem comigo (rs).

Voltei à rotina de uma pessoa normal que trabalha (ainda que os horários possam não ser muito ortodoxos) e confesso que achei um pouco complicado conciliar o aprendizado das últimas semanas com a “vida real”. Mas sigo tentando porque o que tenho aprendido na terapia me ajudou de uma forma fantástica. Será que a fórmula já está devidamente registrada?

Depois que descobri importância de silenciar a mente, voltar-se para dentro, ter consciência de si mesmo, fico com a impressão de ter adquirido um vício do bem. Comecei as aulas de hatha yoga na semana passada e foi paixão à primeira vista. Saio da sala como uma pluma! (a quem interessar, faço na www.dhyanayogaspa.com.br, que tem um espaço lindo!). Na mesma semana participei de uma aula de meditação igualmente fantástica. Além disso, tenho feito os exercícios da terapia em casa, além da meditação e, confesso, também busquei aulas de yoga na internet para fazer sozinha. É porque é muito bom!

Como tudo isso ainda é pouco (rs), descobri que minha academia pode ser muito terapêutica quando estamos concentrados nos exercícios. Então estou fazendo aulas de muay thai, jump, step, bicicleta, musculação, natação, boxe...O que aparecer na frente! Claro que agora, trabalhando, não vou poder me dedicar tanto. Mas não tem problema porque o trabalho é algo que gosto muito mesmo, desde que descobri que havia vida fora da redação.

Eu me sinto assim meio...apaixonada por tudo isso. E com vontade de carregar todo mundo que conheço para esse universo (calma, vou me conter, não vou virar a chata da vida alternativa...rs). 

Sabe o que é mais incrível? Isso tudo está me ajudando a ficar mais concentrada nos estudos. Estou com projetos em mente, comprei vários livros e estou focada em aprender tudo sobre política e comunicação pública. Se em menos de dois meses já senti tudo isso imagine com mais tempo? Tá bom, parei.

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Presente!

Agora que o Ano do Cavalo finalmente decidiu me dar uma trégua, estou conseguindo desfrutar meus dias com uma tranquilidade que nunca antes na história da minha vida eu havia experimentado antes. No meu estado natural teria enlouquecido neste período sabático forçado - pré-mudanças na minha vida profissional - , mas a verdade é que estou conseguindo sobreviver muito bem a ele. Claro que isso não seria possível sem a minha excelente terapeuta, o meu coração aberto e as leituras que começo a fazer no sentido de entender um pouco mais sobre “Ser”, “ego” e todas essas coisas que antes eram subjetivas demais para eu entender. Duas coisas já pude perceber muito claremente em menos de seis sessões de terapia: minha mente era muito barulhenta (não é à toa que com tanto barulho eu me sentisse tão confusa!) e eu poucas vezes, em 33 anos de vida, estive realmente “presente”. Parece que falo em um sentido metafórico, mas é literal mesmo. Talvez isso explique meus lapsos de memória e as constantes broncas das pessoas por nunca estar prestando atenção ao que está acontecendo ao meu redor. Eu costuma dizer que é porque eu estava vivendo no “Maravilhoso Mundo de Erika”. Traduzinho: a minha cabeça costumava estar em qualquer lugar - em geral no futuro -, mas nunca no presente. Curiosíssimo isso. Quando parei para reparar senti que havia perdido pelo menos uns 30 dos meus 33 anos de vida - o que devo ter aproveitado mesmo foram os momentos explosivos, como passar no vestibular, viajar, me formar e outros exemplos que com certeza são melhores do que esse mais aos quais eu não me lembro. Em resumo: não tem como amar mais essa nova fase da minha vida, que ainda está sendo construída vaaaagarosamente.

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

O meu ano do cavalo



Eu não sabia, mas aparentemente tudo já estava preparado. A Lian comentou isso em um texto maravilhoso no blog dela (http://bolhinhasdalian.blogspot.com.br/). O ano passado, da Serpente, foi o ano que me obrigou a sair do meu conforto e encarar a escuridão, usando as palavras dela. Eu sempre fui tão cética em relação a tudo isso mas, agora, vejo como as coisas se encaixam. E no ano passado tive mesmo de me deparar com alguém que eu não conhecia, com situações que nunca esperei vivenciar e foi tudo muito, muito difícil. Eis que 2014 chega e, bom, só pensei que seria o momento de viver com um pouco mais de tranquilidade. Mas eu devia ter lido sobre o ano do cavalo. É sério. E vou gravar bem isso para quando, em 2026, ele retornar. Este ano veio a galope - e, não podendo me expressar tão bem quanto a Lian, roubo de novo as palavras dela. E só no meu último momento como larápia de pensamentos: foi o ano de cair todas as máscaras. A dinâmica de 2014 está tão forte, são tantas coisas acontecendo ao mesmo tempo, que o fato de ainda estarmos em agosto me inquieta muito. Mas, ao mesmo tempo, que 2014 fascinante para mim! Como a vida pode ser dinâmica e interessante! Como a gente aprende a rever conceitos e enxergar a verdadeira essência das coisas! O ano ainda não acabou mas para mim já é inesquecível. Em tudo que já teve de ótimo e ruim.

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Reportagem - Uruguai


Os encantos do Uruguai

O país vizinho atrai pelos cenários bucólicos e também pelos destinos badalados, como Punta del Este

Erika Lettry - Do Uruguai, especial para O POPULAR


Admiradores não se cansam de enumerar as razões pelas quais apreciam tanto o presidente do Uruguai, José Pepe Mujica, que ganhou fama por rejeitar os benefícios do poder e legalizar o uso da maconha em sua terra. Mas nem só de Pepe Mujica vive o Uruguai. Nosso vizinho da América do Sul é também um país recheado de cenários bucólicos e tranquilos como Sacramento e de destinos badalados como Punta del Este, o queridinho das celebridades.

Se há razões para admirar Pepe Mujica, mais razões ainda há para amar o Uruguai. Começando pela capital Montevidéu, que guarda aquele ar europeu tão característico de Buenos Aires, mas ao mesmo tempo mantém um clima tranquilo e quase interiorano. Um convite ao descanso.

Bem menos agitada que Buenos Aires, Montevidéu – que tem cerca de 1,3 milhão de habitantes – é para quem gosta de boa comida, vinho e arquitetura. O seu centro histórico – chamado de Ciudad Vieja, um lugar excelente para se hospedar – é repleto de casarões coloniais e praças charmosas, a começar pela Plaza Independencia, a mais famosa da cidade.

Um passeio típico começa pela Puerta de la Ciudadela, em frente à Plaza, que é como um portal considerado o marco zero do centro histórico. Nela está localizado o Palácio Salvo, de 1925, que é o cartão-postal de Montevidéu. Outra referência ali é o Teatro Solis, inaugurado em 1856, que faz visitas guiadas diariamente para os turistas ao custo de 20 pesos uruguaios.

Para quem curte museus, o Torres Garcia traz obras de artistas contemporâneos da América do Sul. Ele recebe este nome por causa do pintor Joaquín Torres García, nascido em Montevidéu em 1874. Ao todo são sete áreas dentro do prédio destinadas a exposições e atividades culturais. Há ainda uma loja com produtos de arte muito interessante.

COMPRAS

Para quem não dispensa uma boa compra, Montevidéu tem opções convidativas. Ali mesmo na Ciudad Vieja fica a Avenida 18 de Julio, com várias lojas populares e galerias de roupas e objetos eletrônicos que acabam saindo mais em conta que no Brasil – só é preciso ter paciência para pesquisar. O Shopping Punta Carretas também é bastante procurado pelos turistas dentre as diversas opções da cidade.

Se estiver em Montevidéu em pleno domingo não deixe de conhecer a feira de Tristán Narvaja, localizada na rua de mesmo nome. Tem artigos antigos como discos raros, mas também funciona como espécie de brechó a céu aberto, além de feira para a venda de frutas e legumes. No domingo outro passeio interessante, desta vez para comer, é o Mercado del Puerto, que também conta com bancas de artesanato. Bem ao lado dele fica o Museo del Carnaval, que funciona de terça a domingo entre 11 e 17 horas.

Uma forma muito comum de explorar Montevidéu é de bicicleta. Muitos turistas alugam o veículo para percorrer as “ramblas”, que são calçadões com vista para o Rio da Prata com ciclovias, áreas de descanso e pequenos mirantes.

Uma vez em Montevidéu, não deixe de conhecer a Vinícola Bouza, que oferece visitas guiadas para percorrer os parreirais, conhecer o processo de fabricação dos vinhos e que inclui ainda um interessante passeio para apreciar a coleção de carros clássicos do proprietário. A visita, é claro, inclui a degustação de até quatro tipos diferentes de vinhos.

Badalação em Punta del Este


O destino mais famoso do Uruguai é mesmo Punta del Este, que durante o verão atrai celebridades do mundo inteiro para ostentar sua riqueza em mansões de cair o queixo – Shakira, Ricky Martin, Luis Miguel e Zidane foram só alguns dos que estiveram por lá nos últimos anos.

A apenas uma hora de Montevidéu, Punta del Este nesta época do ano fica quase no abandonada. Mas, durante o verão no Hemisfério Sul, o balneário ferve e as lojas de grifes, galerias e cassinos se enchem de clientes mais abastados.

Mas para quem não vai se hospedar por lá, Punta del Este também pode ser um destino mais amigável. A cidade conta com calçadões e vias terrestres para explorar a beleza do lugar, além de restaurantes com ótima gastronomia.

No caminho até Punta del Este há também destinos muito agradáveis, como a pequeno balneário de Piriápolis (uma opção para quem quer praia gastando menos) e a Casa Pueblo, a antiga casa de verão do artista uruguaio Carlos Páez Vilaró, que se tornou museu, galeria de arte e até hotel. Localizada em Punta Ballena, a casa é uma verdadeira escultura a céu aberto e abriga obras importantes de Vilaró.



Sacramento, a cidade romântica

A Colonia del Sacramento, localizada a 177 quilômetros de Montevidéu, é com certeza uma das cidades mais charmosas que você vai conhecer na sua vida. Com seu estilo bucólico e tranquilo, foi declarada Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco em 1995 e já se tornou um destino clássico para casais em lua de mel.

Sacramento exibe casas coloniais bem preservadas, igrejas antigas, ruas iluminadas por lamparinas, detalhes em azulejos, cores e muitas flores enfeitando casas e comércios. Parece cenário de filme romântico com detalhes milimetricamente planejados. Fundada por portugueses e espanhóis, Sacramento é também repleta de referências religiosas.

Entre os passeios imperdíveis de Sacramento estão a visita à Calle de los Suspiros, à Plaza Mayor del 25 de Mayo e às ruínas do Convento de San Francisco y Faro. Um dia é o suficiente para explorar bem a cidade. Mas considerando todo o charme e a beleza dela, o ideal é estender um pouco o passeio para conhecê-la com mais profundidade.

O mais comum é que Sacramento seja visitada a partir de Buenos Aires, que em poucos minutos leva os turistas de ferry boats, como são chamadas as embarcações, atravessando o Rio da Prata. Mas, se sua viagem tiver como porto Montevidéu, diversas empresas fazem o trajeto de ônibus com pouco mais de duas horas de duração.


Preços

04 de agosto de 2014 (segunda-feira)

■ Passeios com agências

Punta del Este, Piriápolis e Casa Pueblo – 1.180 pesos uruguaios (R$ 115)

Tour por Montevidéu – 680 pesos

uruguaios (R$ 65)

Colonia del Sacramento – 1.780 pesos uruguaios (R$ 173)

Adegas diversas com degustação – 1.880 pesos (R$ 183)



■ Passagem saindo de Goiânia

A partir de R$ 548 – ida e volta



■ Hospedagem

Quatro diárias para um adulto saem a partir de R$ 125. Os lugares mais interessantes para hospedagem são na Ciudad Vieja, perto do Shopping Mall, ou próximo dos principais parques

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Viagem América do Sul - parte 5: Peru

Lamentei muito mesmo ter deixado o Peru para o final da viagem, porque é um país maravilhoso e a minha bateria já estava praticamente esgotada. Mas não havia muito o que fazer. Eram muitos os destinos e um deles ia acabar sendo sacrificado mesmo.


Cheguei em Lima no dia 1º de julho ha hora do almoço e minha primeira impressão da cidade, lá do alto do avião, foi: tem cor de tijolo (rs). Depois, olhando para o céu, vi tudo tão cinza que pensei que iria chover. Mas o detalhe é que lá não chove nunca e o céu fica sempre encoberto. Que coisa, né?


A cor de tijolo e o cinza do céu, porém, não descrevem a cidade lá debaixo. Ela é cheia de construções coloridas e para mim a cor amarela gritava aos olhos. E eu ficava olhando tudo e buscando referências para um dia construir uma casa parecida. O amarelo é uma cor que amo muito.


Fiquei hospedada em um hostal super bacana chamado Pradera, bem em Miraflores. Como estava muito curiosa para conhecer a cidade acabei embarcando em um daqueles ônibus turísticos para fazer um city tour. Foi até legal porque, como não havia pesquisado nada sobre a cidade, deu para saber o que fazer nos três dias seguintes.


A única parada mais demorada do city tour foi para visitar as catacumbas da Igreja São Francisco. Além da construção amarela (!!!!) linda e cheia de azulejos, é um lugar bem curioso porque abriga muitas ossadas. E o guia disse que, antes de protegerem os ossos com vidros, os turistas gostavam de levá-los como “regalos”. Cruzes, como as pessoas são mórbidas!




No dia seguinte fui conhecer Miraflores melhor, porque é um bairro que aparece bastante nos livros do Mário Vargas Llosa, esse escritor que eu amo (e que a Lian chama de reaça, mas não consigo enxergá-lo assim!...rs). Fui até o Parque Del Amor, onde tem uma escultura enorme de um casal se beijando (nem gosto pouco...rs). O lugar é cheio de flores e mosaicos e me lembrou muito o parque Güel do Gaudí (me perdoem se o nome do parque estiver errado porque estou com preguiça de pesquisar...rs).






Do parque fui até o shopping Larcomar e na saída um taxista me abordou. Foi muito educado e tal, mas taxista em Lima é um problema. Além de pouco confiáveis ainda ficam insistindo muito para fazermos passeios com eles. Resumindo: não querem descolar. Mais tarde passaria por uma experiência muito ruim com um outro que dobrou o preço combinado só porque pedi para parar no caixa eletrônico. Queria ser superior, mas desejei uma leve trombadinha dele com um poste. Só confiei mesmo quando chamei o taxista pelo aplicativo Easy, porque eles ao menos parece que têm uma tabela de preço. Como você precisa negociar antes o valor da corrida, ficar dependendo da honestidade do taxista é um problema….


Enfim, este primeiro taxista me deixou em Huaca Pucllana, que é um dos sítios arqueológicos de Lima. E ele só resiste há tantos anos (é uma civilização pré-inca, mas bem pré mesmo: tipo uns mil anos antes...rs) porque não chove na cidade! Que loucura. O lugar é todo construído em bairro, é fascinante. O passeio guiado dura uns 50 minutos e é bem bacana.





De lá fui com o outro taxista pilantra para Barranco, um bairro pra lá de charmoso de Lima. Não, tudo que você pensou em charme foi pouco. O bairro é bacanérrimo e dizem que ferve à noite e que é um reduto de artistas. Eu já fiquei apaixonada mesmo indo fora do horário que deveria. Antes de perambular por lá almocei um ceviche delicioso com pisco. O inconveniente foi que colocaram um troço que parecia tomate no prato e mordi com gosto - só que era uma terrível pimenta! Quase morri, sério.








À noite fui com meu amigo peruano conhecer o Parque de la Reserva - das coisas legais que só quem mora lá te indica. Me diverti como uma criança, quem for a Lima não poder perder. O parque tem várias fontes diferentes de água: uma que jorra água a léguas de distância, outra dançante com luzes e música, outra em forma de túnel e, a mais legal de todas, é um labirinto onde o desafio é tentar não se molhar. Fiquei um tempão vendo esta última fonte e rindo à beça dos aventureiros. No fim fomos lanchar na Luccha, uma sanduicheria ótima em Miraflores. Fica a dica.


Meu último dia em Lima também foi acompanhada deste amigo, que me levou para conhecer o centro histórico. Caminhamos pela Plaza de Armas, pelas ruas, igrejas e museus. Depois entramos no Museu do Banco Central que tinha uma visita guiada e de graça! Vale a pena, o museu tem uma coleção incrível de objetos de vários impérios como Nasca, Inca, Chancay...E uma pinacoteca e uma coleção de artesanatos também.


No almoço meu amigo me apresentou todas as principais delícias gastronômicas do Peru. Gente, se um dia vocês forem a Lima eu empresto meu amigo, ele é muito bacana e se dispôs a receber de braços abertos meus amigos que estiverem por lá...hehee. Enfim, uma vez em Lima não percam: ceviche, leite de tigre e chicha


De lá fomos visitar San Marcos, a universidade do Mário Vargas Llosa. Estava lendo Conversa na Catedral (adivinha qual escritor?..rs), que falava da universidade e decidi conhecê-la. Encontramos um grupo de brasileiras que ficaram encantandas em ver como meu amigo falava bem o espanhol..hahaha (depois contamos que ele era peruano...rs).





Por fim terminamos o passeio com uma visita super mórbida ao Museu da Santa Inquisição. Por motivos óbvios não tenho registros dos calabouços e objetos de tortura.


De Lima segui para Cusco, essa cidade linda e maravilhosa. Cheguei por volta das 6 horas da manhã e a dona do hostal que eu ia ficar me buscou. Aliás recomendo a pousada Inka Manco Capac: fica a uns 25 minutos a pé do centro, mas é bem confortável e a dona é educadíssima. Ela me ofereceu chá de coca assim que cheguei para eu resistir à mudança de altitude e me ajudou em várias coisas.


Depois de descansar um pouco fui ao centro comprar os passeios. O primeiro que fiz foi bem light, porque a recomendação de todos é nunca se esforçar demais no primeiro dia em Cusco por causa da atitude. Tive sorte de não passar mal, mas realmente o cansaço era muito grande.


Fiz um city tour em que visitei lugares como Qoricancha (um templo inca que foi transformado em catedral pelos espanhóis), Sacsayhuaman, Qenpo, Pucapucara e Tambomachay. Gente, amo demais esses nomes. Quem me dera eu guardasse isso tudo na memória. A língua quechua é linda.









No outro dia fui conhecer o Valle Sagrado. A primeira parada foi em Pisaq, e realmente não me lembro nada do que a guia explicou (rs). É um lugar cheio de ruínas. Nessa cidade visitamos uma joalheira, onde vimos a montagem de peças de prata. Enlouqueci, porque além de ser tudo lindo era também muito barato. Acabei comprando um anel com a bandeira de Cusco e um pingente inca.


No almoço paramos em Urubamba e de lá fomos para Ollantaytambo. Aí sim um lugar espetacular, que parece uma escadaria. Fomos escalando, escalando...E no final eu já não tinha fôlego para mais nada. No retorno passamos em Chinchero para ver uma igreja. No retorno ao meu hotel um taxista muito simpático falou na língua quechua que eu era muito bonita e tinha olhos de estrela. Os taxistas de Cusco são de bem melhor qualidade do que os de Lima!..heheh








O último dia foi dedicado, obviamente, a Machupicchu. Passeio caro (100 dólares para entrar, R$ 100 dólares de passagem de trem). Mas como dizer que não compensa ver uma das maravilhas do mundo moderno? É um lugar espetacular do início ao fim. Acho que das paisagens com intervenção humana é a mais linda que já vi na vida. E Machupicchu é tão cheio de energia boa...Mas, como eu disse, pena que minha bateria já tinha acabado.







Esqueci de dizer algo importante: o Peru é um lugar barato, mas separem um bom dinheiro para os artesanatos. Tem coisa linda demais! Eu queria ter me acabado comprando tudo! Aliás, por que não fiz isso?????

Reportagem - Punta Arenas (Chile)

A matéria sobre a região dos Magalhães que saiu no O Popular nesta segunda-feira (28 de julho) ;)



Na rota do fim do mundo

Punta Arenas, cidade chilena, é a porta de entrada para conhecer paisagens deslumbrantes no extremo sul da América

Erika Lettry - De Punta Arenas (Chile) Especial para O Popular

O Chile é um dos países da América do Sul com as paisagens mais contrastantes que você poderá conhecer. Do deserto aos vales salpicados de neve, o que não falta são razões para deliciar e surpreender os olhos. Dentro desta diversidade a região dos Magalhães e Antártica Chilena, no extremo sul do Chile, se destaca por reunir cenários que incluem lagos, cavernas, cachoeiras, geleiras e até vulcões inativos.

A porta de entrada para este mundo é Punta Arenas, uma cidade com mais de 130 mil habitantes que durante muito tempo foi o principal porto de navegação entre os oceanos Pacífico e Atlântico, antes da abertura do Canal do Panamá. A partir dela fica fácil conhecer destinos como o Parque Torres del Paine, Pali Aike e a Ilha Madalena - esta última cheia de pinguins.

Com um clima rigoroso especialmente para os padrões brasileiros (nesta época do ano a temperatura chega fácil a dois graus negativos), a região dos Magalhães (também conhecida como a rota do fim do mundo) exige preparo. Luvas, casacos e botas impermeáveis são itens necessários nesta cidade que gosta de surpreender pelo clima. Você pode estar em um lindo passeio ensolarado e de repente avistar uma torrencial chuva de granizo.

Dentro desta lógica, para visitar o Parque Torres del Paine também é preciso se precaver. O passeio é longo e as paradas para descanso quase inexistentes - o que te obriga a levar mantimentos como água e comida. As agências oferecem o passeio de dia inteiro de carro, onde é possível conhecer os principais pontos do parque. Porém, apenas para chegar a este destino, são 300 quilômetros de estrada até Puerto Natales, a cidade que o abriga. E o parque em si não deixa a desejar em termos de extensão, com uma superfície de mais de 227 mil hectares.

Quem dispõe de mais tempo costuma optar por fazer todo o circuito a pé, acampando durante o caminho. Conhecer o local desta maneira exige pelos menos quatro dias e muito fôlego. Mas quem já experimentou não se arrepende. A principal atração deste parque mais visitado do Chile (são 155 mil pessoas por ano) é a Cordilheira Paine, onde se projetam três pontas de granito conhecidas como as Torres del Paine. Mas há também lagos com águas azuis e desprendimentos de gelo que costumam impressionar quem não está acostumado com as paisagens geladas.

Um dia com os pinguins

A região dos Magalhães não tem destinos fáceis. Cada passeio fora de Punta Arenas exige perseverança. A Isla Magdalena é um exemplo. Embora próxima de Punta Arenas - 35 quilômetros -, é preciso pegar estrada e um barco. Você chega até onde estão os pinguins por volta das 15 horas - e às 16 horas já tem de fazer o caminho de volta.

Declarada Patrimônio Natural em 1982, a ilha abriga diversas espécies de animais. Os mais famosos deles são os pinguins, que chegam por volta de setembro e lotam a ilha para a alegria dos turistas. Não à toa a ilha é apelidada de pinguineira, porque fica toda ocupada por filhotes que fazem a população de pinguins aumentar para até 120 mil.

Mas não se desanime se na época do ano em que você estiver na região dos Magalhães esta super população de pinguins já estiver ido embora. Há uma família de pinguins-reis que desafia a lógica dos estudiosos e permanece na ilha durante todo o ano. Observá-los só é possível a distância - o território, de propriedade particular, é todo demarcado. O silêncio também é imprescindível para não pertutbar os pinguins - o que deixa a experiência de observá-los quase mística.


Pali Aike: o primo pobre

Um passeio pouco procurado pelos turistas mas igualmente interessante é o Parque Nacional Pali Aike, com uma superfície de 3 mil hectares localizada no distrito de San Gregorio. A 195 quilômetros de Punta Arenas, o parque é um extenso campo vulcânico de que dá origem a uma paisagem composta por montes e vulcões. A expressão Pali Aike, aliás, significa “lugar desolado” em aónikenk, língua originária dos povos da Patagônia.

O passeio começa na Lagoa Ana, lugar preferido dos guanacos, aqueles animais peludos que lembram as lhamas. De lá são quase duas horas de trilha a pé até a cratera Morada do Diabo - a vista lá de cima, em um fim de tarde, é espetacular e vale a pena todo o sacrifício.

Nesta época do ano, contudo, os dias estão mais curtos e é preciso ser ágil para não perder o passeio mais importante, até a cova Pali Aike. Neste lugar foram encontradas evidências arqueológicas de populações que a usaram como abrigo há 11 mil anos atrás. O terreno até chegar até a cova é bem acidentado e a iluminação, ao anoitecer, é inexistente. Por isso a necessidade de não se deixar deslumbrar por tanto tempo na cratera e acabar perdendo este cenário.


O que fazer em Punta Arenas

■ Zona Franca
A primeira parada de quem visita Punta Arenas deve ser a Zona Franca, para comprar a um preço mais em conta itens como casacos e botas impermeáveis - necessários para quem vai enfrentar a neve. A Zona Franca fica perto do centro da cidade e oferece artigos como perfumes, roupas, sapatos, eletrônicos, bebidas, celulares e até carros.
■ Cemitério Municipal
O cemitério fica em frente a Avenida Bulnes é o mais antigo da cidade, tendo sido fundado em 1894. Repleto de mausoléus e capelas e de altíssimos arbustos podados, o Cemitério tem um aspecto totalmente peculiar. Dentro dele está localizada a escultura de um índio que, dizem, ao ter sua mão beijada, realiza seus desejos tempos depois. Não custa tentar.■ Museu Regional dos Magalhães
Localizado no centro histórico, o museu foi a mansão da família Braun Menéndez e está rodeada de jardins e árvores centenárias. Ele abriga importantes coleções de mobiliário e objetos do período de ouro da região dos Magalhães. Há também uma exibição histórica do processo de povoamento do território austral até a consolidação de Punta Arenas.
■ Palácio Sara Braun
O Palácio Sara Braun foi desenhado pelo arquiteto Numa Mayer em Valparaíso, no Chile, em 1895. Sua construção se deu ao longo de quatro anos e se tornou a residência de Sara Braun, sendo hoje pertencente ao Club de la Unión de Punta Arenas. O prédio é de estilo neoclássico francês e traz em sua decoração toda a aura da belle époque parisiense.

Preços

Entradas
■ Parque História da Patagônia: 12 mil pesos (R$ 46)
■ Parque Torres del Paine: 10 mil pesos (R$ 40)
■ Pinguineira: 12 mil pesos
(R$ 46)
■ Parque Pali Aike: 500 pesos (baixa temporada) ou R$ 1,95

Passagens
A partir de 902 dólares partindo de Goiânia

Hotéis
5 diárias para uma pessoa sai a partir de R$ 260

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Reportagem - Ilha de Páscoa

Compartilhando a matéria que escrevi para o jornal O Popular sobre a Ilha de Páscoa. Bem mais útil que as impressões pessoais ;)



Os mistérios da Ilha de Páscoa

A ilha pertencente ao Chile e que é um dos lugares mais isolados do planeta atrai turistas do mundo inteiro com sua paisagem peculiar e as enigmáticas esculturas talhadas em pedra

Erika Lettry - De Hanga Roa, Ilha de Páscooa, especial para o popular

21 de julho de 2014 (segunda-feira)

Uma ilha de 24 quilômetros de comprimento nascida da emergência de três vulcões e que abriga misteriosas esculturas a céu aberto. A Ilha de Páscoa, pertencente ao Chile mas distante de sua costa oeste cerca de 3,7 mil km, mais de cinco horas de avião, é um dos destinos mais insólitos da Terra. O isolamento não é mera sensação: trata-se de um minúsculo pedaço de chão rodeado pelo Pacífico e que é considerado um dos pontos mais distantes do planeta. Esta certeza você terá assim que avistar a ilha inteira do avião. Uma visão única de um lugar extraordinário.

A natureza peculiar que inclui cavernas e vulcões, o exótico povo rapanui, de origem polinésia, sua história controvertida e os moais (esculturas humanas talhadas em pedra) são razões suficientes para lotar diariamente os dois únicos aviões que atualmente desembarcam em Hanga Roa, capital da ilha: um partindo de Santiago, no Chile, e outro de Papeete, da Polinésia Francesa. Depois que os voos que saíam de Lima foram extintos, há uma possibilidade de o Brasil ser premiado com uma linha direta de Guarulhos.

Por muito tempo esquecida e vítima de sérias crises de sobrevivência decorrentes de sua geografia, a Ilha de Páscoa aproveita como pode as vantagens de ter entrado no coração de turistas do mundo inteiro. A infraestrutura hoteleira é completa – com opções de luxo e para mochileiros –, há diversos restaurantes, táxis, lojas de locação de carros e bicicletas e serviços turísticos vendidos por agências.

A parte mais difícil mesmo é preparar os bolsos para a empreitada, embora nada seja impeditivo. Paga-se o custo de uma viagem que pode-se considerar quase como exclusiva.

Para explorar a ilha

Há diferentes formas de explorar a ilha. Por não ser muito grande, há quem se anime a alugar bicicletas para percorrer as atrações. O mais comum, contudo, é alugar carros ou combinar pacotes com os taxitas. Estas modalidades permitem ao turista visitar os destinos sem se preocupar com horários predefinidos. Mas, a não ser que você tenha um bom guia impresso nas mãos, o recomendável é mesmo procurar as agências de turismo para que o guia possa explicar detalhes da história da ilha – você vai se fascinar e descobrir que tudo que pensava conhecer não era verdade.

No centro da cidade, em frente à orla, há um guichê de informações que pode ser muito útil para ajudar a contratar os serviços. Duas agências têm o selo de qualidade e ambas oferecem três tipos de excursões: de dia inteiro, em que o fim do passeio é na praia de Anakena, e dois de meio dia, com visitas a Orongo (onde um vulcão inativo irá lhe fazer perder o fôlego) e Akivi.

O custo total é de cerca de 50 mil pesos chilenos, o equivalente a 200 reais. Isso sem contar o ingresso no Parque Nacional Rapa Nui, que para estrangeiros tem um custo de 60 dólares e pode ser comprado assim que se desembarca no Aeroporto Mataveri.

Ao todo são 25 pontos turísticos oficiais no Parque Nacional Rapa Nui, mas só existe controle de ingresso em Raraku e Orongo devido à fragilidade destes sítios arqueológicos e à necessidade de prevenir o impacto acumulativo. Os rapanuis são muito zelosos de seu patrimônio e qualquer desobediência é bronca na certa – por isso é melhor ficar atento a placas e cordões.

Esculturas são culto aos homens, não aos deuses

Ver pela primeira vez um moai – aquela estrutura gigantesca composta por cabeça e tronco de até 12 metros de altura talhada em pedra vulcânica – é realmente assustador. Centenas de dúvidas surgem na hora, mas as explicações até hoje não convenceram a todos. Como estruturas tão pesadas foram levantadas? Que tipo de tecnologia usaram para empreendê-las?

O fato, contudo, é que em determinado momento você vai deixar de se intrigar pelas obras desta civilização que teve seu auge nos anos 1400 e se perguntar por que tamanha obsessão pelas esculturas – são cerca de 800 espalhadas em toda ilha. E engana-se quem pensa que eram feitas em culto aos deuses.

As estátuas monolíticas eram totalmente dedicadas aos homens mais importantes da ilha. Até serem recuperados por engenheiros no século passado, dizem os nativos que todas estavam caídas. As hipóteses são tsunamis e terremotos.

Cada parte dos sítios arqueológicos é um motivo diferente para se ver tantos moais. Ahu Tongariki, por exemplo, é o cartão-postal da Ilha de Páscoa. Trata-se de uma sequência de 15 moais de costas para a Praia Hotu´iti, declarado o maior monumento do Pacífico Sul. A restauração destas estátuas terminou apenas recentemente, em 1996, graças ao esforço de uma empresa de engenharia japonesa que tinha o intuito de promover seu trabalho para o mundo.

Na quase exclusiva e pequena praia de Anakena, fica um altar de moais que tem algumas das estátuas mais bem conservadas da ilha, algumas delas com o pukao – a estrutura vermelha sobre a cabeça que pode tanto representar os cabelos quanto uma espécie de cocar. Para ver um moai com os olhos pintados, no entanto, o destino é Ahu Tahi. Os olhos foram pintados também no século passado e o único que conserva a pintura original, de coral, está abrigado no Museu Antropológico Padre Sebastián Englert, também localizado na ilha.

Cemitério
Já nas encostas da cratera de Rano Raraku fica um verdadeiro cemitério de moais inconclusos. Todos os moais da ilha, aliás, eram esculpidos na cratera do vulcão Rano Raraku em uma rocha mais maleável e fácil de moldar.

A hipótese para o abandono dos moais é que houve uma crise de sobrevivência na ilha e os homens mais influentes, que encomendavam as esculturas não puderam mais arcar com o custo de sustentar o artista e sua família em troca do trabalho. Neste local estão as esculturas mais estilizadas, que marcam uma espécie de evolução no trabalho dos moais.

Dicas úteis

■ Do aeroporto a qualquer lugar em Hanga Roa, o preço tabelado do táxi é de 3 mil pesos chilenos (12 reais). Já do centro até os hotéis o preço é de 2 mil pesos (8 reais). Para um passeio até a praia de Anakena, que fica um pouco distante, é possível combinar com o taxista o valor de 15 mil pesos (60 reais) ida e volta. Os valores devem ser pagos em dinheiro.■ Os preços de diária de hospedagem variam de 25 mil pesos a 300 mil pesos (100 a 1,2 mil reais).
■ O ideal é ficar pelo menos quatro dias na cidade. No primeiro dia é interessante reconhecer o terreno, saber onde ficam os caixas eletrônicos, empresas de turismo e visitar os locais que vendem artesanato. No segundo, fazer o passeio de dia inteiro; no terceiro, os dois passeios de meio dia, e, no último, aproveitar os cursos de mergulho, que custam cerca de 30 mil pesos (120 reais). No mergulho é possível ver um moai submerso – propositalmente colocado ali, é bom ressaltar.
■ Ver o pôr do sol em Aku Tahai é uma das principais diversões dos turistas. Dá para ir caminhando do centro de Hanga Hoa – são menos de 30 minutos a pé. No inverno do Hemisfério Sul, o sol se põe por volta das 18h30.
■ Para o nascer do sol em Ahu Tongariki, se tiver ânimo para acordar bem cedo, vá de carro alugado ou agende táxi.
■ Para comer, o ceviche com camote (batata-doce) é uma iguaria muito recomendada. Finalize com pisco sour, bebida de limão que lembra muito a nossa caipirinha.
■ Consulte com seu hotel os serviços que são prestados. Em baixa temporada pode ser que não ofereçam venda de água nem o uso de toalhas. Melhor não se surpreender na hora errada.
■ Se a sua estadia incluir um domingo, não esqueça de assistir à missa com músicas cantadas em língua rapanui. Aliás a arquitetura da igreja é bem peculiar, cheia de esculturas do povo de origem polinésia.


terça-feira, 22 de julho de 2014

Viagem América do Sul - parte 4: Santiago

Agora sim voltando à ordem natural das coisas. Depois de Punta Arenas segui para Santiago, onde cheguei no dia 18 de junho. Me custou muito deixar a rota do fim do mundo porque sou daquelas que tem uma agilidade muito grande em entrar na zona de conforto. Mas talvez esta tenha sido a lição mais importante da viagem: ser obrigada a sair da zona de conforto com certa frequência.

Fiquei hospedada em um hostal em Nuñoa, um bairro mega charmoso de Santiago. O inconveniente é que era tão longe do centro que nem minha agência de turismo queria me buscar. Por outro lado ficava pertinho do metrô, de restaurantes, do shopping, do cinema...Tanto que me animei a assistir “A Culpa é das Estrelas” e amei porque entendi tudinho.

Fiquei com dificuldade de passear em Santiago por um motivo bem idiota. Estava um frio de rachar e no meu quarto havia um aquecedor que ficava embaixo da minha cama. Pensem em um trem bom…Sair era sempre um grande sacrifício (rs).

Apesar desta resistência, decidi sair no dia seguinte para um caminhada pelo Paseo Ahumada, no centro histórico. A primeira parada foi na Catedral de Santiago, cuja fachada está sendo reformada. Aliás eles o Chile tem um projeto interessante de recuperação das fachadas dos prédios históricos. Só me pergunto como fica tudo por dentro….

Consegui depois andando sem rumo encontrar o Museu de Arte Pré-Colombiana, que tem um acervo muito bacana de várias civilizações americanas. Eu sou suspeita porque gosto muito de museu. Mas vou confessar logo o lado fútil e dizer que o que mais gostei foi a coleção de adornos. Deu vontade de voltar aos negócios de bijouterias!

Saindo de lá fui ao Museu Histórico Nacional, onde havia uma apresentação dos mapuches em comemoração ao ano novo deles. Fiquei seriamente empolgada com isso, porque saber no meio da viagem que ainda tem ano novo começando por aí foi tão...sei lá...pareceu muita coisa do destino! E como coincidência pouca é bobagem, no hostal em que fiquei hospedada o meu quarto era denominado mapuche. Gente,  me sinto mapuche! (rs)

No dia seguinte fui conhecer o famoso Valle Nevado. O lugar é lindo, mas confesso que em 15 minutos já havia enjoado da paisagem branquinha. Mas a experiência de pisar numa neve bem espessa foi divertida. E mais estranho ainda foi o calor que eu passei no meio daquela neve toda. Gente, não entendo mais nada...Achei que neve era igual frio. Quem explica?





Aqui aproveito para super não recomendar a empresa que contratei, que era a Turistik. Além de ser mais cara, com ônibus mega lotado, achei que ela me desdenhou demais. Não quis me buscar no hotel como fez com os outros turistas, embora não me desse nenhum desconto por isso. E achei o guia meio suspeito, porque jurou de pé junto que iria nevar horrores naquele dia e que precisaríamos alugar várias roupas caríssimas. No medo muita gente alugou tudo. Eu, que já tinha bastante coisa, só aluguei a calça. Só que: nem um floquinho caiu.

Mas esquecendo um pouco isso, o passeio foi legal. Almocei em um restaurante ótimo que tem lá no Valle Nevado. Delícia de comida, tomando vinhozinho enquanto observava o vale...E a sobremesa, um creme brulé, não podia estar mais divina!

No dia seguinte fui conhecer a vinícola Concha y Toro, que faz o nosso amado vinho Casillero del Diablo. Eu amo esse vinho. E amei conhecer o lugar. Além da vinícola ser linda, pudemos degustar três vinhos ótimos: o Trio, um outro que esqueci (rs) e o Dom Melchior, que custa R$ 500 dólares (foi o vinho mais caro que provei na vida...rs).






Primeiro conhecemos o espaço que era a casa de Dom Melchior, depois a vinícola em si e degustamos os dois primeiros vinhos. Daí seguimos para a adega do Casillero del Diablo e achei bacana porque o passeio é cheio de historinhas sobre como surgiu esse nome que provoca a ira de tanta gente (rs). Passam uma animação na parede da vinícola super divertida.

No fim degustamos o Dom Melchior e ganhamos a tacinha de presente. E consegui que ela chegasse inteira no Brasil! Aliás aproveitei a passei na lojinha e fiquei enlouquecida nos itens que eles têm para quem gosta de vinho. Comprei algumas coisinhas para o Rodrigo, naquele típico esquema de presente interesseiro (rs).

No outro dia também conheci outra vinícola, a Veramonte, mas infelizmente não pude comprar nada porque ainda teria de enfrentar muitos aeroportos para me arriscar assim. A partir fui com outra agência bem mais bacana conhecer Valparaíso e Viña del Mar. Em Valparaíso fizemos um city tour que passada pela casa de Pablo Neruda e por um porto cheio de leões marinhos. Mas olha: não vi nada de especial na cidade. Não achei nada bonita. Estou só sendo bem sincera...rs.







Vinã del Mar me pareceu mais simpática, mas meu ânimo com cidade praiana tem sido pequeno ultimamente. Só gostei mesmo do almoço do castelinho porque a comida, apesar de muito cara, estava deliciosa. E, claro, tinha vinho! Recomendo fortemente que não se compre esse passeio por agência porque é muito corrido. Melhor fazer em um esquema próprio mesmo.

No penúltimo dia fui conhecer o Cerro de Santa Lucia, em Santiago mesmo. Só soube da existência dele porque alguns turistas do passeio para Valparaíso comentaram. Mas o lugar é realmente muito charmoso, cheio de construções bonitas. Fiquei com vontade de passar o dia todo lá. Mas criei coragem e continuei a caminhada e acabei encontrando o Museu Colonial, cheio de obras lindas sobre a vida de São Francisco. Fiquei feliz com a descoberta porque era uma baita segunda-feira, dia em que os museus costumam fechar. E o lugar é incrível mesmo.






Antes de embarcar para Ilha de Páscoa não quis me arriscar muito nos passeios em Santiago. Fui apenas ao zoológico para ver o urso polar. Saindo de lá passeio no Pátio Bella Vista para almoçar e achei um lugar bacana para comprar “regalos”. O último compromisso foi fazer a minha nova tattoo em homenagem ao Rodrigo. E, olha, ficou lindinha demais. Já é a minha segunda favorita!