quinta-feira, 27 de maio de 2010

Eu que não creio


Há alguns meses o Rodrigo escreveu uma matéria sobre ateus e agnósticos. Um dos entrevistados reclamava que sofria preconceito por ser ateu. A tal ponto que preferia dizer para a avó que não tinha religião mas que acreditava em Deus. Ontem na academia eu passei por experiência semelhante. Meu professor, que pelo que entendi é evangélico, me perguntou se eu ia à igreja. Eu, bobamente, respondi: "Não, eu não acredito. Na época que eu acreditava eu ia".

Primeiro veio aquele silêncio sepulcral dele e da aluna que estava por perto, seguido por olhares de reprovação. Diante disso eu quase falei: "Não, eu não acredito na igreja, mas acredito em Deus!". Eu estaria mentindo - simplesmente porque não sei se acredito ou não em Deus -, mas ao menos não estaria recebendo internamente aquela praga que todo crente (no sentido de "crer") te roga. Assim: "Quero ver no dia em que precisar de Deus, aí vai se lembrar que ele existe".

Pois é assim sempre, não é? É duro perceber o quanto as pessoas são intolerantes com assuntos que simplesmente não farão a menor diferença na vida deles. E eu nem digo que sou ateia ou agnóstica, porque no meu coração eu sinto que não sou nenhuma das duas coisas. Eu só não sei mais se acredito, não consigo chegar a um ponto de diálogo interior em que eu consiga chegar a uma conclusão. É até um pouco triste para mim, que sou de família católica.

Foi triste ir ao Vaticano, considerado um santuário para os católicos, e não sentir nem mesmo um arrepio. Apesar de tudo, ainda sou bastante ligada aos símbolos da igreja. Que saudade de rezar um terço! E como eu adoro uma igreja rica, as imagens de santos, o fato de um dia querer me casar na igreja! Mas sei que tudo que eu amo nos símbolos da igreja nada mais é que tradição e admiração estética. Eu não consigo dizer ao meu cérebro: "Volte a ter fé!". E nem sei se quero. Sinto falta de ser "espiritualizada", mas ao mesmo tempo me sinto livre não tendo uma religião.

4 comentários:

  1. Nossa, achava que vc era catoliquíssima rs to chocada (olhar de reprovação, kkk brincadeira, claro)

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  2. Seu joelho não é muito católico. E você, pelo jeito, também não! Hahaha!!!

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  3. Oi Erika. Primeiramente, obrigado por citar o meu blog na sua listagem. O wordpress me comunica frequentemente que há leitores daqui.

    Sobre o seu post, pode ser que você e o professor da academia, apesar das diferenças de crença, tenham uma noção bem parecida do que vem a ser a fé.

    A ideia de que a fé precisa estar ligada a um grande evento sentimental, não importa se um momento de pânico, ou mesmo o arrepio que você poderia sentir no Vaticano, não tem muito a ver com o significado profundo do termo.

    A fé depende da razão. Ela é mais inclinada às nossas inteligências e vontades do que ao mundo das emoções. Madre Teresa de Calcutá, por exemplo, chegou a não sentir lá muitas coisas num período difícil da vida dela. Mas, mesmo assim, ela permanecia bastante crédula e firme na oração.

    De uma certa forma, você também poderia matar a saudade de rezar o terço, mesmo sem esperar por um grande evento sentimental ou facilmente epifânico. Se a fé vai ser retomada ou não, isso já ficaria entre você e Deus. Não sou eu nem o professor da academia que poderiam te apontar sinais, rs.

    Boa sorte!

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  4. Oi, Erika!! Gostei muito da sinceridade do post, não é fácil dizer isso tão livremente. Me identifiquei tanto... Bj

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