
Há alguns meses o Rodrigo escreveu uma matéria sobre ateus e agnósticos. Um dos entrevistados reclamava que sofria preconceito por ser ateu. A tal ponto que preferia dizer para a avó que não tinha religião mas que acreditava em Deus. Ontem na academia eu passei por experiência semelhante. Meu professor, que pelo que entendi é evangélico, me perguntou se eu ia à igreja. Eu, bobamente, respondi: "Não, eu não acredito. Na época que eu acreditava eu ia".
Primeiro veio aquele silêncio sepulcral dele e da aluna que estava por perto, seguido por olhares de reprovação. Diante disso eu quase falei: "Não, eu não acredito na igreja, mas acredito em Deus!". Eu estaria mentindo - simplesmente porque não sei se acredito ou não em Deus -, mas ao menos não estaria recebendo internamente aquela praga que todo crente (no sentido de "crer") te roga. Assim: "Quero ver no dia em que precisar de Deus, aí vai se lembrar que ele existe".
Pois é assim sempre, não é? É duro perceber o quanto as pessoas são intolerantes com assuntos que simplesmente não farão a menor diferença na vida deles. E eu nem digo que sou ateia ou agnóstica, porque no meu coração eu sinto que não sou nenhuma das duas coisas. Eu só não sei mais se acredito, não consigo chegar a um ponto de diálogo interior em que eu consiga chegar a uma conclusão. É até um pouco triste para mim, que sou de família católica.
Foi triste ir ao Vaticano, considerado um santuário para os católicos, e não sentir nem mesmo um arrepio. Apesar de tudo, ainda sou bastante ligada aos símbolos da igreja. Que saudade de rezar um terço! E como eu adoro uma igreja rica, as imagens de santos, o fato de um dia querer me casar na igreja! Mas sei que tudo que eu amo nos símbolos da igreja nada mais é que tradição e admiração estética. Eu não consigo dizer ao meu cérebro: "Volte a ter fé!". E nem sei se quero. Sinto falta de ser "espiritualizada", mas ao mesmo tempo me sinto livre não tendo uma religião.
Nossa, achava que vc era catoliquíssima rs to chocada (olhar de reprovação, kkk brincadeira, claro)
ResponderExcluirSeu joelho não é muito católico. E você, pelo jeito, também não! Hahaha!!!
ResponderExcluirOi Erika. Primeiramente, obrigado por citar o meu blog na sua listagem. O wordpress me comunica frequentemente que há leitores daqui.
ResponderExcluirSobre o seu post, pode ser que você e o professor da academia, apesar das diferenças de crença, tenham uma noção bem parecida do que vem a ser a fé.
A ideia de que a fé precisa estar ligada a um grande evento sentimental, não importa se um momento de pânico, ou mesmo o arrepio que você poderia sentir no Vaticano, não tem muito a ver com o significado profundo do termo.
A fé depende da razão. Ela é mais inclinada às nossas inteligências e vontades do que ao mundo das emoções. Madre Teresa de Calcutá, por exemplo, chegou a não sentir lá muitas coisas num período difícil da vida dela. Mas, mesmo assim, ela permanecia bastante crédula e firme na oração.
De uma certa forma, você também poderia matar a saudade de rezar o terço, mesmo sem esperar por um grande evento sentimental ou facilmente epifânico. Se a fé vai ser retomada ou não, isso já ficaria entre você e Deus. Não sou eu nem o professor da academia que poderiam te apontar sinais, rs.
Boa sorte!
Oi, Erika!! Gostei muito da sinceridade do post, não é fácil dizer isso tão livremente. Me identifiquei tanto... Bj
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